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Vídeo aponta para míssil norte-americano no ataque que matou mais de 150 crianças numa escola no sul do Irão

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Ataques Irão

Especialistas identificaram a munição como sendo utilizada exclusivamente pelos Estados Unidos no conflito atual. Apesar das evidências, os norte-americanos rejeitam a responsabilidade com Donald Trump a culpar o Irão pelo ataque.

Anadolu

Um vídeo autenticado pela imprensa norte-americana e analisado por investigadores independentes revela que um míssil de cruzeiro Tomahawk, utilizado pelos Estados Unidos, atingiu um complexo perto de uma escola em Minab, sul do Irão, causando mais de 150 mortos.

O Irão responsabilizou Estados Unidos e Israel pelo ataque, que não aceitaram a responsabilidade. Mas vários fatores apontam para os norte-americanos enquanto autores do ataque.

O vídeo do impacto

Um vídeo divulgado pela agência semioficial iraniana Mehr mostra uma munição a atingir um edifício junto de uma escola na cidade de Minab, na província de Hormozgan, no dia 28 de fevereiro.

O jornal norte-americano The New York Times autenticou o vídeo e especialistas identificaram a munição como um míssil de cruzeiro Tomahawk.

Segundo o jornal, o Exército norte-americano é a única força envolvida no atual conflito a utilizar este tipo de míssil.

O grupo de investigação Bellingcat e especialistas citados pela Associated Press geolocalizaram o vídeo perto da escola atingida.

A localização do ataque

A agência France-Presse (AFP) geolocalizou imagens do local, que mostram fumo negro a sair de um edifício decorado com murais de lápis de cor, crianças e uma maçã.

O edifício situa-se perto de duas instalações ligadas à Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC). A clínica Shahid Absalan, sob controlo da marinha da IRGC, encontra-se a cerca de 238 metros do local atingido.

O complexo cultural Seyed al-Shohada da IRGC fica a cerca de 286 metros. Minab está localizada perto do Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas para o comércio global de hidrocarbonetos.

A escola atingida

A televisão estatal iraniana identificou o local como a Escola Primária Feminina Shajare Tayyebeh. Segundo as autoridades iranianas, a explosão ocorreu no primeiro dia da guerra, 28 de fevereiro, e matou mais de 150 pessoas.

A UNICEF indicou que 168 estudantes foram mortos, a maioria raparigas entre os 7 e os 12 anos. A AFP não conseguiu verificar de forma independente o número de vítimas nem as circunstâncias exatas do incidente.

Abbas Zakeri/Mehr News/WANA

A versão iraniana

O Presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, classificou o ataque como uma operação conjunta dos Estados Unidos e de Israel contra uma escola.

Os meios de comunicação estatais divulgaram imagens de funerais de pelo menos 165 pessoas, incluindo crianças, com caixões cobertos por bandeiras iranianas.

Outras imagens mostraram escavadoras a preparar dezenas de sepulturas, embora a AFP não tenha conseguido verificar quando foram filmadas ou onde ocorreram.

Trump acusa o Irão

Questionado sobre o incidente, o Presidente norte-americano, Donald Trump, rejeitou qualquer responsabilidade dos Estados Unidos.

“Pelo que vi, foi o Irão que fez o ataque”, afirmou Trump no sábado, acrescentando que Teerão é “muito impreciso com as suas munições”.

O secretário da Defesa norte-americano, Pete Hegseth, indicou que o Pentágono abriu uma investigação, afirmando que “só o Irão ataca civis”.

O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, tinha dito anteriormente que os norte-americanos nunca atacariam deliberadamente uma escola.

Israel diz não ter conhecimento

O exército israelita afirmou não ter conhecimento de qualquer ataque israelita ou norte-americano contra uma escola em Minab.

“Operamos com extrema precisão”, declarou o porta-voz militar Nadav Shoshani.

Investigações e dúvidas

Investigadores independentes afirmam que a análise do vídeo contradiz a versão apresentada por Trump.

Especialistas dizem que a munição identificada, um Tomahawk, é utilizada apenas pelos Estados Unidos neste conflito.

O Comando Central dos Estados Unidos reconheceu o uso deste tipo de mísseis durante a guerra e divulgou imagens do navio de guerra “USS Spruance” a disparar um Tomahawk no dia do ataque.

As reações internacionais

O alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Turk, pediu que a investigação norte-americana seja conduzida “rapidamente e com total transparência”.

A organização Hengaw afirmou estar a tentar identificar os estudantes mortos e indicou que cerca de 170 alunos poderiam estar presentes na escola no momento do ataque.

Especialistas em direito internacional alertam que, mesmo que o ataque tenha sido um erro de identificação de alvo, poderá constituir uma violação grave do direito internacional humanitário.

Dificuldades de verificação

Nenhuma organização independente conseguiu aceder ao local durante a guerra. A ausência de fragmentos da munição ou de investigação no terreno dificulta a confirmação definitiva da origem do ataque.



SIC Noticias

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