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Um estudo realizado com milhares de alunos em Portugal aponta para sinais preocupantes ao nível da saúde mental dos jovens. A maioria dos estudantes admite não dormir o suficiente e começar o dia já com sintomas de cansaço.
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De acordo com os dados do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências, cerca de 60% dos jovens entre os 13 e os 18 anos afirmaram que, nas últimas duas semanas, acordaram cansados, o que contribui para o agravamento do bem-estar psicológico.
Relação entre mal-estar emocional e comportamentos aditivos
A investigação estabelece ainda uma relação direta entre o mal-estar emocional e o desenvolvimento de comportamentos aditivos.
Segundo a presidente do instituto, Joana Teixeira, presidente do Conselho Diretivo do ICAD, os resultados confirmam a existência de uma associação significativa entre dificuldades psicológicas e o consumo de substâncias ilícitas.
No último ano, 48% dos estudantes inquiridos admitiram ter consumido álcool, enquanto 6% referiram o uso de drogas ilícitas. Além disso, 7% disseram ter recorrido a medicamentos sem indicação médica.
O autor do estudo, Vasco Calado, explica que esta relação é bidirecional, ou seja, os jovens com pior saúde mental apresentam maior propensão para comportamentos aditivos, ao mesmo tempo que esses comportamentos tendem a agravar o estado psicológico.
Os dados indicam ainda que 10% dos jovens reportam sintomas de depressão, 13% de ansiedade e 7% de stress. As raparigas apresentam, em média, níveis mais elevados destes indicadores.
Qualidade do sono é fator determinante
A privação de descanso está associada a um maior risco de consumo de álcool e drogas, bem como a dificuldades na tomada de decisões e no controlo emocional.
Para Joana Marques, especialista em sono e orofessora Adjunta na Escola Superior de Saúde Atlântica, existe uma relação estreita entre padrões de descanso inadequados e problemas como ansiedade, depressão e stress nos jovens.
Os especialistas alertam para a necessidade de promover rotinas de sono saudáveis e de acompanhar de perto o estado emocional dos adolescentes.
O estudo deverá voltar a ser realizado em 2028, com o objetivo de acompanhar a evolução destes indicadores.
