Maria Emília Brederode dos Santos morreu no sábado, em Lisboa, aos 84 anos, vítima de doença prolongada.
“Foi com profundo pesar que recebemos a notícia, do falecimento da pedagoga e membro do Conselho de Opinião da RTP, ao longo de vários anos, Maria Emília Brederode dos Santos”, refere o Conselho de Opinião, numa nota de pesar assinada pela presidente do órgão, Deolinda Carvalho Machado.
O Conselho de Opinião sublinha que “são de imenso valor as memórias” que deixa “como legado, como diretora pedagógica da Rua Sésamo e de vários outros programas para a infância da RTP, apontando sempre o caminho da cidadania, liberdade e democracia”.
“Uma mulher de princípios e valores humanistas que sempre nortearam a sua vida, foi reiteradamente voz ativa e exemplar testemunho da defesa do Serviço Público de rádio e televisão”, enfatiza o órgão.
Pelo seu percurso e “empenhamento na construção de um mundo melhor procuraremos dar continuidade à missão que abraçou, como melhor forma de honrar a sua memória”, prossegue o Conselho de Opinião, apresentando “as mais sentidas condolências” à família e amigos.
Especialista em educação, Maria Emília Brederode dos Santos presidiu ao Conselho Nacional de Educação entre 2017 e 2022 e deixa um percurso humanista ligado à melhoria da educação em Portugal, quer no Ministério da Educação, quer na RTP onde se dedicou a programas educativos.
Nascida a 21 de março de 1942, em Campo de Ourique, Lisboa, Maria Emília Brederode dos Santos era licenciada em Ciências da Educação pela Universidade de Genebra e mestre em Análise Social da Educação pela Universidade de Boston.
Conforme o seu currículo publicado pela Assembleia da República, foi diretora pedagógica das quatro séries do programa televisivo Rua Sésamo, emitido na RTP; coordenou a publicação da “Constituição da República Portuguesa Trocada por/para Miúdos”(Ed. Assembleia da República), foi coautora do Manual de Educação para os Direitos Humanos Compass e autora do livro Aprender com a TV.
Enquanto assessora do diretor de programas da RTP 2 e do departamento de programas infantis e juvenis da RTP concebeu, produziu e foi responsável ou coautora de vários programas televisivos educativos como o Jardim da Celeste, Alhos e Bugalhos ou Poemas Pintados.
Antes, no Ministério da Educação tinha sido coautora e responsável pelos programas televisivo e radiofónico “Falar Educação” e “Cá fora também se Aprende”.
Em 2016, coproduziu um projeto de formação e um manual de Educação para os Media para a Fundação Calouste Gulbenkian.
Presidiu à Associação Portuguesa de Intervenção Artística e de Educação pela Arte 2006 a 2008, à Comissão de Avaliação da Escola Superior de Educação pela Arte e ao Grupo interministerial para o Ensino Artístico.
Condecorada com a Ordem da Instrução Pública (grau de Grande Oficial, 2004), recebeu o Prémio da Boston University’s General Alumni Association em 1994; o Prémio Rui Grácio da Sociedade Portuguesa de Ciências da Educação em 1992 e o Prémio Jean Louis Claparéde da Universidade de Genebra, em 1972.
Irmã do advogado e jornalista Nuno Brederode Santos, Maria Emília Brederode Santos foi casada com José Medeiros Ferreira (1942-2014).
Maria Emília Brederode dos Santos distinguiu-se também como opositora da ditadura, ação destacada pelo Presidente da República, António José Seguro, que na sua mensagem de condolências à família a recordou como “uma mulher do 25 de Abril”, comprometida “com a liberdade e com a ideia de que a educação é sempre um ato político”.
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