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"Megalómano" e "desequilibrado": ex-diretor da CIA apela à destituição de Donald Trump

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O ex-diretor da CIA, John Brennan, disse, no sábado, numa entrevista ao canal de notícias MS NOW, que Donald Trump “está claramente fora de si” e apelou à destituição do Presidente norte-americano ao abrigo da 25.ª emenda da Constituição dos EUA.

O presidente Donald Trump após assinar lei que põe fim a uma paralisação parcial do governo federal no Salão Oval da Casa Branca, a 3 de fevereiro de 2026, em Washington

Alex Brandon / AP

O responsável dos serviços de informação entre 2013 e 2017, durante a Presidência de Barack Obama, invocou as ameaças de Trump de destruir a civilização iraniana para concluir que o presidente está “claramente desequilibrado”.

John Brennan disse ainda que Teerão está longe de ter uma arma nuclear e de constituir uma ameaça para os Estados Unidos.

O Irão não possuía armas nucleares (…) a avaliação constante dos serviços de informações era de que o Irão não representava uma ameaça iminente”, afirmou John Brennan. “As suas mentiras são evidentes”, diz ainda, referindo-se a Trump.

Aparentemente, Trump sabia disto e mentiu para tentar justificar o ataque ao Irão, escolhendo ignorar as informações dadas pelos serviços secretos, de acordo com o ex-diretor da CIA.

“Há muito que ele [Donald Trump] menospreza os relatórios dos serviços secretos. Há muito que menospreza os profissionais dos serviços secretos. Penso que tudo isto faz parte do seu narcisismo e megalomania. Ele acredita que é a pessoa mais brilhante na sala e segue o seu instinto, em vez de dar ouvidos aos serviços secretos e aos factos, que são bastante evidentes no que diz respeito ao que iria acontecer com esta desastrosa campanha de guerra”, continua o ex-diretor da agência de espionagem em conversa com Ali Velshi, jornalista do MS NOW.

Como funciona a 25.ª emenda?

John Brennan argumentou ainda que a 25ª Emenda da Constituição norte-americana “foi escrita a pensar em Donald Trump”. Mas não é o único a apelar à emenda. Segundo uma contagem realizada pela NBC News, 70 democratas pedem a evocação do decreto.

Adicionada à Constituição dos Estados Unidos em 1967, a 25.ª emenda permite que um Presidente se declare incapaz de incumprir as suas funções, podendo, então, transferir o poder para o seu vice-presidente, que passaria a Presidente interino.

Como tal, é autorizado que o vice-presidente e a maioria do gabinete do chefe de Estado ou de outro órgão criado pelo Congresso declarem um Presidente como “incapaz de exercer poderes e deveres do seu cargo”.

Evan Vucci/AP Photo

O artigo deixa em aberto as questões que podem definir “incapacidade”, podendo incluir, por isso, questões relacionadas com saúde física ou mental.

Neste caso, se tal acontecesse, Trump poderia retomar os poderes se emitisse uma declaração, enviada aos líderes do Congresso, afirmando “não existir incapacidade” para exercer funções.

Porém, se JD Vance – e quem mais tivesse invocado a 25ª Emenda – insistisse na declaração, o Presidente teria de se afastar do cargo.

Depois, seria ainda necessário que a Câmara dos Representantes e o Senado fossem a votações e alcançassem uma maioria de dois terços, concordando, então, que o Presidente dos Estados Unidos não poderia manter-se no cargo.

Como o vice-presidente, JD Vance, é bastante leal e próximo de Trump e a maioria dos republicanos na Câmara e no Senado aprova as suas políticas, o cenário de Trump ser destituído através da 25.ª emenda é pouco provável.

Republicanos voltam-se contra Trump

O antigo responsável da CIA não é o único a ressurgir-se contra Trump. Cada vez mais a taxa de desaprovação do Presidente norte-americano aumenta e várias vozes, que outrora o apoiavam, estão agora a contestar as suas ações e políticas.

Na semana passada, vários apoiantes do movimento MAGA (“Make American Great Again”) e de Trump, desde líderes republicanos a comentadores, começaram a apelar à destituição do Presidente dos EUA, após as ameaças de Trump ao Irão de que “uma civilização inteira” iria morrer.

Alex Jones, antigo aliado de Trump e membro do movimento MAGA, descreveu o Presidente norte-americano como um “supervilão desequilibrado da Marvel” após o ultimato feito ao Irão.

Não foi nisto que votámos. A definição de genocídio é destruir uma civilização inteira”, disse Alex Jones.

A Jones, juntou-se Taylor Greene, congressista republicana até romper a ligação com Trump, na sequência dos ficheiros Epstein. A ex-congressista atacou o Presidente pela sua “maldade e loucura” e pelas decisões que conduziram à guerra no Médio Oriente.

“Não caiu uma única bomba na América. Não podemos matar uma civilização inteira“, escreveu na rede social X.



SIC Noticias

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