O 11 de Setembro alterou profundamente o sistema de informações português e colocou o SIS perante novas exigências de cooperação, prevenção e abertura à sociedade. Neste episódio, contamos-lhe a reforma do sistema e a prova de fogo do Euro 2004, um momento decisivo para a afirmação dos serviços de informações da democracia portuguesa. Oiça aqui o podcast que conta a história do Serviço de Informações em Portugal
O 11 de setembro é, até hoje, o mais importante caso de estudo sobre o papel das informações na prevenção das ameaças. Serviu de exemplo e de referência para tudo o que viria a ser feito a partir daí. Com as torres gémeas caíram preconceitos, desconfianças e até reservas sobre a existência de serviços secretos, e, em sentido inverso, disparou o interesse e o investimento na sua atividade.
Adélio Neiva da Cruz classifica aqueles atentados como “um abalo sísmico para todos os serviços de informações do mundo”, a partir dos quais “os decisores políticos começaram a olhar para esta atividade de outra maneira”. A prova, diz Heitor Romana, de que “era preciso mudar o paradigma, e começar a privilegiar as fontes humanas”, ou então, como diz Jorge Silva Carvalho a mudança radical que trouxe à cooperação internacional, pondo “serviços tradicionalmente adversários ou hostis a colaborar para combater um inimigo comum chamado Al-Qaida”.
Paulo Sande e Tiago Pereira Santos
Portugal não foi exceção, não só aumentando orçamentos e recursos humanos, como, sobretudo, ultrapassando o impasse em que se encontravam os planos de reforma do próprio sistema. Embora sem incluir ainda a fusão do SIS com o SIED, como era largamente defendido, em 2004 nasceu, ainda assim, uma versão mais influente do Secretario Geral do SIRP, responsável por novos departamentos comuns, mas também como interlocutor direto do primeiro-ministro.
Um período muito intenso na vida do SIS, durante o qual teve três diretores: José Telles Pereira, Margarida Blasco e Antero Luís.
Mas este 4º episódio tem mais para contar. Recorda o ambiente de tensão e risco que o terrorismo de inspiração islâmica instalou, sobretudo, na Europa, e detalha o atentado que o SIS garante ter evitado em solo nacional. O alvo era a cerimónia de abertura do Euro 2004 realizada na cidade do Porto.
Helena Rego, na altura à frente do contraterrorismo do SIS, esteve na linha da frente dessa operação conjunta com a Polícia Judiciária, e descreve “as buscas a pensões manhosas do Porto, que foram feitas na véspera do jogo inaugural”, e durante as quais “detivemos um marroquino que era o principal suspeito de estar a preparar aquele atentado”.
Oiça o 4º episódio de SIS: 40 Anos de Segredos no topo desta página.
“SIS: 40 anos de segredos” conta a história do Serviço de Informações de Segurança. Assinala a abertura de portas em fevereiro de 1986, mas começa a ser contada a partir de abril de1974 – momento em que a extinção da DGS abriu caminho à criação do primeiro serviço de informações civil e democrático.
Pela voz de quem o desenhou, instalou e dirigiu, é explicada de forma inédita como funcionam e foram evoluindo as vertentes da formação e da fiscalização.
Uma investigação jornalística de Celso Paiva Sol, contada em seis episódios, com tratamento sonoro dos estúdios Billyboom Sound design e capa de Tiago Pereira Santos.
