O futuro dos jovens na Tailândia está dentro de um pote verde. É a sorte a ditar se podem fazer o que quiserem com as suas vidas ou se são obrigados a integrar as forças armadas.
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Todos os anos, em abril, os rapazes a partir dos 21 anos são chamados a participar neste sorteio obrigatório.
Num templo de Banguecoque, os potenciais recrutas à força aguardam sentados em cadeiras de plástico que chamem o seu nome. Quando chega a sua vez, colocam a mão dentro de um grande pote verde e tiram um cartão do interior.
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É um militar que anuncia, ao microfone, o resultado: se o cartão que saiu for preto, o jovem é livre para ir para casa, mas se for vermelho será obrigado a integrar as fileiras do exército.
Outro soldado agarra o rapaz pelos braços, preparado para amparar uma reação efusiva, seja qual for o resultado. Com preto, muitos saltam de felicidade ou dançam, entre gritos de alegria de família e amigos. Com vermelho, há lágrimas, desmaios e revolta.
O número de novos recrutas varia conforme as necessidades do exército, marinha e força aérea em cada ano.
Por exemplo, no caso de apenas um distrito de Banguecoque, Bang Sue, foram requisitados 36 novos recrutas e houve 15 voluntários, o que significa que os 21 lugares em falta foram sorteados entre os 68 homens do distrito elegíveis.
Os rapazes recrutados através de lotaria são obrigados a prestar serviço durante dois anos (ou um ano no caso de estudantes universitários). Já os voluntários são apenas obrigados a servir as forças armadas durante seis meses.
Recebem um salário mensal de cerca de 11.000 baht (o equivalente a 290 euros), valor ligeiramente acima do salário mínimo da Tailândia, com alimentação e alojamento assegurados.
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Podem ser solicitadas isenções anualmente por motivos pessoais, como doença ou cuidados a familiares, mas se forem excluídos ou tirarem um cartão preto e não forem recrutados serão novamente chamados no ano seguinte, até aos 29 anos.
Quem não responder à chamada pode ser punido com até três anos de prisão.
Antes de participarem, os jovens também têm de passar num exame físico, ficando excluídas pessoas com menos de 160 centímetros de altura e obesidade. Há relatos de quem ganhe peso propositadamente para ser excluído.
A exclusão também se aplica a mulheres trans, embora algumas pessoas possam ser chamadas caso mantenham o género masculino nos documentos oficiais.
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Já os jovens monges budistas são obrigados a participar.
A última edição do sorteio terminou este domingo, este ano com um peso acrescido – o conflito com o Camboja que já fez dezenas de baixas de ambas as partes. Desde dezembro está em vigor um cessar-fogo, mas as tensões mantêm-se.
