As equipas de dermatologia do Hospital de Santa Maria, que receberam pagamentos indevidos por cirurgias adicionais – incluindo o médico Miguel Alpalhão – terão de pagar mais de 818 mil euros à unidade de saúde.
Segundo o jornal Público, que teve acesso a um comunicado da Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS), numa amostra de 511 cirurgias que foram realizadas entre 2021 e o primeiro trimestre de 2025, foram efetuados pagamentos aos profissionais envolvidos na ordem dos 901 mil euros.
“Deste montante, foi apurado um total de 818.756 euros pagos indevidamente, com base nas autorizações de pagamento dos membros dos Conselhos de Administração da Unidade Local de Saúde de Santa Maria”, cita o mesmo meio, notando que a atual ministra da Saúde, Ana Paula Martins, era presidente do conselho de administração em 2023, tendo saído em 2024.
De recordar que o dermatologista Miguel Alpalhão faturou cerca de 400 mil euros em 10 sábados.
Quando foi ouvida no Parlamento sobre este assunto em setembro, Ana Paula Martins, embora tenha garantido não ser comum, disse ser possível um médico ganhar este montante num período tão curto, caso faça cirurgias adicionais.
Já o jornal Observador apontou que dos mais de 818 mil euros, Miguel Alpalhão terá de devolver cerca de metade do valor. Referiu ainda que o montante total se refere à totalidade do pagamento recebido por um conjunto de 16 médicos, seis enfermeiros e seis assistentes que terão participado nas mais de 500 cirurgias.
O Notícias ao Minuto questionou a IGAS, para mais esclarecimentos, aguardando resposta.
Inicialmente, a CNN Portugal, que avançou com a notícia, referiu que seria o médico Miguel Alpalhão a ter de pagar os mais de 818 mil euros.
Recorde o caso
Em maio do ano passado, a IGAS abriu um inquérito ao serviço de dermatologia do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, avançou, na altura, também a CNN Portugal. Esta notícia surgia no seguimento de uma reportagem da mesma estação que dava conta de pagamentos de milhares de euros feitos em 10 dias a apenas um médico.
Já em novembro, o dermatologista Miguel Alpalhão apresentou a demissão do Hospital de Santa Maria, tendo alegado que não lhe restava outra atitude perante o tratamento “humilhante, degradante e persecutório” que foi alvo por parte da administração.
“Lamentavelmente, não me resta outra atitude que não a demissão das minhas funções, perante a forma de tratamento com intuito humilhante, degradante, discriminatório e persecutório de que fui alvo ao longo do último ano por parte da administração do hospital”, escreveu o médico numa carta a que a Lusa teve acesso.
[Notícia atualizada às 23h53]
