Cultura

Estudo de ADN ao longo de 10 mil anos revela novas pistas sobre a evolução humana


Ciência

Um estudo de ADN antigo que envolveu quase 16.000 pessoas ao longo de mais de 10.000 anos na Eurásia Ocidental (Europa e parte ocidental da Ásia) revela que a seleção natural acelerou na evolução humana recente.

RUSLANAS BARANAUSKAS/SCIENCE PHO

A investigação, publicada na revista Nature e liderada por pesquisadores da Harvard Medical School, combinou dados genómicos antigos com métodos computacionais inovadores, para revelar como a seleção natural atuou sobre os genes, dos quais mais de metade com ligações conhecidas com o risco de doenças e outras características atuais.

Muitas das variantes genéticas identificadas têm ligações conhecidas com características físicas, psicológicas e sociais complexas, incluindo o risco de desenvolver diabetes tipo 2 e esquizofrenia.

Até agora, os estudos de ADN (ácido desoxirribonucleico, molécula que contém as instruções genéticas para o desenvolvimento e funcionamento dos seres vivos) humano tinham identificado apenas cerca de 21 casos de seleção direcional, afirmou a universidade em comunicado.

Este tipo de seleção ocorre quando uma versão de um gene que confere uma forma extrema de uma característica, como a tolerância à lactose após a infância, se mostra vantajosa o suficiente para a sobrevivência e reprodução, sendo transmitida a mais descendentes do que as versões menos vantajosas.

A escassez de evidências sugeria que a seleção direcional era incomum desde que os humanos modernos surgiram em África, há cerca de 300.000 anos, diversificando-se em diferentes grupos populacionais pelo mundo.

No entanto, conclui o estudo, a seleção direcional impulsionou a disseminação ou o declínio de centenas de variantes genéticas na Eurásia Ocidental desde o fim da Era do Gelo e essa seleção acelerou desde que os humanos passaram da caça e coleta para a agricultura.

Com os investigadores colaboraram mais de 250 arqueólogos e antropólogos para a publicação dos novos dados de ADN de 10.016 indivíduos antigos da Eurásia Ocidental, que se somam às 5.820 sequências antigas e 6.438 modernas já publicadas.



SIC Noticias

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