Chegar ao recinto exige organização e esforço: é preciso sair ainda de madrugada, percorrer longas distâncias e ultrapassar um forte dispositivo de segurança, deixando as viaturas estacionadas longe do local.
Nada disso, porém, demoveu o grupo, que avançava a pé, com entusiasmo e fé, quando encontrou a equipa da Lusa.
Vânia Barbosa, luso-angolana, vive em Angola, país que, afirma, lhe “abriu os braços” há 17 anos para iniciar uma nova fase da vida. Residente em Luanda com o marido e os filhos, saiu de casa às 06h00 para garantir a entrada antes do fecho dos portões, previsto para as 08h00.
“É uma grande alegria para nós. Para Angola e para os angolanos é um momento muito particular, celebrámos no ano passado os 50 anos da Independência, foi um momento de festa. Para todos os angolanos é um momento de união”, disse à Lusa.
A empresária considera que a visita “representa muito para Angola, mas também para África e para todos os católicos”, acrescentando: “É uma mensagem para o mundo de que estamos unidos pela paz, uma mensagem de esperança”.
Filipa Santos, enfermeira e amiga de Vânia, vive em Angola há 13 anos e decidiu participar para “celebrar com esta comunidade enorme que aqui se junta” a visita apostólica do Papa a África.
“Fazia todo o sentido poder celebrar este momento, estar junto da comunidade e sentir esta comunhão de católicos aqui em Luanda, em Angola, hoje”, afirmou.
Da missa, espera “uma mensagem de paz e de união” que traga um outro olhar para África, continente ao qual almeja um futuro próspero, “com as pessoas de África a fazer em África”.
E recordou as palavras do Papa para “olhar para o potencial deste povo e deste continente” para que seja transformado num bem “ao serviço das pessoas que aqui estão e que constroem este continente todos os dias e que obviamente constroem também Angola todos os dias”.
A cadeira de rodas não travou a angolana Maria Emilia Luciano que quis vir também receber o Papa.
“É o nosso pastor, a gente pede à mamã do céu, mãe Maria, que ajude o nosso Papa para que tudo corra bem até ao seu regresso”, augurou, afirmando-se muito emocionada.
Do Papa espera uma mensagem de paz e união entre os povos: “que todos os países, os que estão em guerra e os que não estão, todos os povos, estejam unidos”.
No recinto, o ambiente é de expectativa. Postos médicos foram instalados para responder rapidamente a eventuais necessidades dos fiéis. Em frente ao palco, a concentração cresce de forma contínua, formando uma massa humana onde predomina o branco do vestuário. Pelos altifalantes ecoam orações, cânticos e música religiosa, enquanto se aguarda a chegada do Papa.
Leão XIV chegou no sábado a Angola, terceiro país do seu périplo africano, onde ficará até terça-feira.
