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Ex-Presidente pró-russo conquista maioria nas eleições da Bulgária


Europa

O ex-Presidente búlgaro Rumen Radev, que defende o retomar do diálogo com a Rússia, conquistou a maioria parlamentar nas eleições legislativas de domingo, de acordo com os resultados eleitorais quase definitivos.

Ex-Presidente pró-russo conquista maioria nas eleições da Bulgária

Valentina Petrova

Radev obteve 44,7% dos votos, o que significa que a coligação “Bulgária Progressista”, que lidera, teve uma forte aceitação entre os eleitores do país mais pobre da União Europeia e conseguiu uma maioria absoluta de pelo menos 132 lugares no parlamento, que tem 240 lugares.

Rumen Radev, que deveria presidir o país entre 2017 e 2026, demitiu-se em janeiro para concorrer às eleições legislativas, com a sua vitória a alterar o cenário para a formação de um governo nesta nação balcânica, que votou no domingo pela oitava vez em cinco anos.

Oito eleições em cinco anos

O vencedor ficou muito à frente dos conservadores (GERB) do ex-primeiro-ministro Boyko Borissov, que liderou o anterior governo, e dos liberais do PP-DB, que obtiveram 13,01% e 14,26% respetivamente, de acordo com os resultados quase definitivos divulgados pela Comissão Eleitoral Central.

A participação eleitoral, superior a 50%, a mais elevada desde 2021, segundo o instituto de sondagens Market Links, demonstra que Radev representa, para a maior parte dos búlgaros, uma hipótese de união.

Esta participação tinha descido para 39% nas eleições de 2024, ilustrando a desconfiança generalizada dos búlgaros em relação à política.

“Superámos a apatia”, celebrou Rumen Radev num discurso feito para os seus apoiantes. “Esta é uma vitória da esperança sobre a desconfiança, uma vitória da liberdade sobre o medo”, acrescentou, afirmando que “a Bulgária vai esforçar-se por continuar o seu caminho europeu”.

Antes da eleição, Radev tinha declarado que partilhava as posições da Hungria e da Eslováquia sobre o envio de armas para a Ucrânia, adiantando que “não via qualquer benefício para o seu país pobre em pagar por isso”.

Sem “impor um veto” a Bruxelas – como fez a Hungria, fez questão de esclarecer na sexta-feira, no canal bTV, estar consciente das vantagens que o seu país, com 6,5 milhões de habitantes, tem por ser membro do bloco desde 2007.

Protestos anticorrupção em grande escala em 2021 levaram à queda de Boyko Borissov, que esteve no poder durante quase 10 anos como primeiro-ministro, e desde então têm-se sucedido frágeis coligações.

Rumen Radev, um antigo general da Força Aérea, pretende usar a sua maioria para pôr fim à crise política que assola o membro mais pobre da União Europeia desde 2021.

Apoiou abertamente os manifestantes e, depois de votar em Sofia, declarou que a Bulgária tinha “uma oportunidade histórica para romper de vez com o modelo oligárquico”.



SIC Noticias

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