“Os tempos estão difíceis para quem trabalha, a renumeração do trabalho não reflete os rendimentos das empresas, a habitação, os combustíveis, os bens de primeira necessidade atingem valores proibitivos e temos um Governo nacional que atenta contra os direitos dos trabalhadores”, afirmou Manuel Esteves, um dos elementos da organização.
A marcha partiu da Praça do Município, percorreu algumas ruas do centro da cidade e terminou no largo à entrada da Assembleia Legislativa da Madeira, com os manifestantes munidos de bandeiras, cravos vermelhos e cartazes com inscrições como “Liberdade para ser feliz”; “25 de Abril Sempre — Paz, Pão, Habitação, Saúde, Educação”; “Liberdade, Democracia, Autonomia”; “Não aceitamos a fatura da vossa guerra”.
Foram também entoadas palavras de ordem, amplificadas com recurso a megafones, como “Viva o 25 de Abril, a mãe de todas as datas”; “25 de Abril sempre, fascismo nunca mais”; “Contra o medo, a Liberdade”; “Paz sim, Guerra não”; “a Madeira não é caixote do lixo”; “Não vamos desistir, o pacote é para cair”, numa alusão às alterações à legislação laboral apresentadas pelo Governo liderado pelo social-democrata Luís Montenegro.
“Reunimo-nos aqui, hoje, porque comemorar o 25 de Abril não é só um ritual, é uma responsabilidade”, disse Luísa Paixão, da comissão organizadora, reforçando: “A liberdade não é garantida com inércia. A participação cívica continua a ser o instrumento mais poderoso de transformação social.”
A marcha no Funchal foi promovida pela Comissão para a Comemoração dos 50 Anos do 25 de Abril na Madeira, criada em 2024 e composta por pessoas de diversos quadrantes políticos e sociais.
Entre outras iniciativas, a comissão preparou também um livro para assinalar a data, intitulado “Da Madeira, Vozes do 25 de Abril, Testemunhos, Memórias e Reflexões”, cuja impressão foi financiada pela Associação de Municípios da Região Autónoma, que reúne 80 textos com depoimentos de pessoas de todos os concelhos da região sobre a “Revolução dos Cravos” e que será apresentado em 30 de abril, no Funchal.
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