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Israel e Rússia são dois dos Estados mais criticados no relatório da Amnistia Internacional sobre a situação dos direitos humanos no mundo, esta segunda-feira publicado, ambos acusados de cometerem crimes contra a humanidade em 2025.
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Os dois países, agressores nas guerras mais mediáticas que atualmente se desenrolam no mundo, são acusados de genocídio, de ataques cora civis e tentativas de suprimir comunidades e identidades.
“Israel cometeu genocídio, bem como múltiplos crimes de guerra e crimes contra a humanidade, contra os palestinianos em Gaza”, aponta a organização de defesa dos direitos humanos no seu relatório, acrescentando que o crime “continuou para além do cessar-fogo com o [grupo islamita palestiniano] Hamas, a 09 de outubro de 2025”.
A organização sublinha também que o “sistema de ‘apartheid’ contra todos os palestinianos teve um impacto devastador, particularmente na Cisjordânia ocupada, incluindo Jerusalém Oriental, através de operações militares de alta intensidade e de um aumento acentuado da violência dos colonos apoiada pelo Estado”.
Lembrando que várias organizações, organismos internacionais e Estados reconheceram que Israel estava a cometer genocídio e que se desenrolaram protestos por todo o undo, a Amnistia lamenta que os governos mais poderosos do mundo não tenham “tomado medidas significativas” para travar o crime contra a humanidade e para pôr fim à ocupação ilegal e ao ‘apartheid’ de Israel.
No ano passado, avança a Amnistia, Israel manteve a prática do crime contra a humanidade “com a contínua negação de acesso a ajuda humanitária adequada face à deslocação forçada em curso de quase toda a população [palestiniana], bombardeamentos militares devastadores e extensa destruição de propriedades e infraestruturas civis”.
Segundo lembra a organização, Telavive quebrou, em março do ano passado, uma trégua que tinha sido acordada a 19 de janeiro e “intensificou imediatamente os ataques militares contra Gaza”.
Apesar da libertação dos reféns feitos no dia do ataque do Hamas a território israelita — e que deu início à guerra -, a 07 de outubro de 2023, “os ataques militares de Israel continuaram, matando mais 415 palestinianos entre o cessar-fogo e o final do ano”.
No ano 2025 Israel matou 26.791 palestinianos em Gaza e feriu 64.065, dos quais 60% eram crianças, mulheres e idosos, aponta a Amnistia Internacional.
Também a Rússia “cometeu crimes contra a humanidade e crimes de guerra”
Também a Rússia, que invadiu a Ucrânia em 2022 dando início a uma guerra na Europa, “cometeu crimes contra a humanidade e crimes de guerra, nomeadamente através da sua prática generalizada de desaparecimentos forçados, tortura e alegados ataques com drones contra civis ucranianos”, apontou a Amnistia Internacional.
Além disso, critica a organização no documento esta segunda-feira publicado, Moscovo intensificou, no ano passado, os ataques aéreos contra infraestruturas civis críticas na Ucrânia, ao mesmo tempo que aumentaram os relatos de execuções extrajudiciais de prisioneiros de guerra ucranianos.
“Nos territórios que ocupou, a Rússia também tomou medidas para suprimir identidades não russas”, acusou a Amnistia.
A ONU tem denunciado a tentativa da Rússia de eliminar a identidade ucraniana nas zonas ocupadas, impondo a língua, leis, sistema judicial e currículos educacionais russos, mas também deportando crianças ucranianas para “apagar” a sua identidade.
