“Este escrutínio não deve ser interpretado como uma ‘agenda política’, mas sim como o cumprimento do direito dos cidadãos a serem informados sobre a gestão da coisa pública”, lê-se no comunicado.
A CCPJ defendeu ainda que “a ausência de resposta por parte de instituições públicas a questões legítimas não pode ser usada, a posteriori, como fundamento para ataques à honra ou ao profissionalismo de quem apenas cumpre o seu dever de informar”.
O organismo que certifica os jornalistas para a sua atividade afirmou também não ter “dúvidas de que o exercício do jornalismo não é uma concessão do poder político, mas um pilar fundamental do Estado de Direito”.
“Imputar ‘falhas deontológicas’ ou retirar ‘confiança’ a um jornalista por este reportar factos incómodos constitui uma pressão inaceitável que visa limitar a sua liberdade enquanto profissional”, lê-se em comunicado.
Nesta linha a CCPJ recordou que “o prestígio das instituições democráticas depende também do respeito que os seus eleitos demonstram pelo papel da comunicação social livre e independente”.
Em causa está um incidente ocorrido na última reunião camarária, na sequência da publicação de uma notícia sobre a Casa do Cinema de Coimbra, na qual o jornalista da Lusa João Gaspar dava conta de que o espaço está em risco de perder a sua licença por o município não avançar com o plano de reabilitação acordado, referindo que questionou o executivo municipal, mas não obteve resposta.
Ana Abrunhosa acusou o jornalista de ter cometido uma falha deontológica grave e de ter uma agenda política.
O Conselho de Administração da Lusa reuniu-se em Coimbra com o autor da notícia e com o delegado regional da Lusa, na presença da diretora de informação da agência, para manifestar “solidariedade e confiança” no trabalho “de independência e rigor” do jornalista.
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