Angola e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) vão investir cinco milhões de dólares (4,1 milhões de euros) para criar o Centro de Excelência “AgriTech Timbuktoo Angola”, divulgou hoje a organização das Nações Unidas.
Segundo uma nota do PNUD, a que a lusa teve acesso, foi assinado, na quarta-feira, em Luanda, um acordo para a criação deste centro, com um investimento repartido, sendo 3,5 milhões de dólares (três milhões de euros) assegurados pelo Governo angolano e 1,5 milhões de dólares (1,2 milhões de euros) pelo PNUD.
No documento avançou-se que esta iniciativa estratégica visa impulsionar a inovação agrícola, promover o empreendedorismo jovem e acelerar a transformação das cadeias de valor do setor.
O centro deverá contar com a participação de instituições de ensino superior, centros de investigação, empresas, cooperativas e ‘startups’ angolanas, promovendo uma maior articulação entre os setores público e privado nas áreas agrícola, veterinária e florestal.
O centro a ser criado na província angolana do Huambo, “funcionará como um ‘hub’ regional de agricultura tecnológica, com a ambição de se afirmar como um centro pan-africano de referência em agricultura sustentável, tecnologias verdes e empreendedorismo rural”.
O projeto, integrado na plataforma pan-africana Timbuktoo, liderada pelo PNUD, posiciona Angola como um ator relevante na promoção da inovação e do empreendedorismo no continente.
“O futuro Centro de Excelência AgriTech Timbuktoo Angola, atualmente em desenvolvimento, é um projeto coordenado pelo Ministério do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação, cocoordenado pelo Ministério da Agricultura e Florestas e implementado pelo PNUD, com o apoio do Ministério da Indústria e Comércio”, lê-se na nota.
O documento foi assinado pelo ministro do Ensino Superior, Ciência, Tecnologia e Inovação angolano, Albano Ferreira, e pela representante residente do PNUD em Angola, Denise António.
A responsável do PNUD, citada na nota, destacou que a agricultura foi sempre uma prioridade para Angola, mas o que está a mudar é o modo como tem sido abordada.
“Ao investir na inovação e na juventude, Angola está a dar um passo decisivo para transformar potencial em resultados concretos para as pessoas”, disse Denise António.
“O centro irá atuar como catalisador de um ecossistema moderno de inovação agrícola, promovendo o empreendedorismo jovem, a adoção de ferramentas digitais, e a transformação das cadeias de valor agrícolas”, salienta-se no documento.
Tendo em conta o elevado potencial agrícola do país e a sua posição estratégica ao longo do Corredor do Lobito, o projeto pretende fortalecer o ecossistema de inovação, apoiar o desenvolvimento de ‘startups’ e pequenas e médias empresas prontas para investimento, e reforçar a integração de Angola nas cadeias de valor regionais, incluindo no âmbito da Área de Livre Comércio Continental Africana.
A iniciativa Timbuktoo, do PNUD África, assenta numa abordagem sistémica que junta governos, setor privado, universidades e investidores, estruturando-se em ‘hubs’ temáticos e mecanismos de financiamento inovadores.
Angola é o 11.º país africano a integrar os Hubs Temáticos da iniciativa Timbuktoo, liderando o tema de AgriTech e sendo o único país lusófono desta rede, que inclui África do Sul, Marrocos, Senegal, Gana, Nigéria, Ruanda, Zâmbia, Quénia, Etiópia e Egito.
