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Reportagem Sky News
Com quase metade do corpo queimado após um ataque aéreo israelita, Zainab, de 12 anos, permanece hospitalizada em estado crítico. Foi a única sobrevivente de um ataque no Líbano que matou toda a sua família.
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A jovem ainda não sabe que perdeu os pais e os dois irmãos mais novos, um menino de cinco anos e uma bebé com pouco mais de um ano. No hospital, chama repetidamente pela mãe. As únicas visitas são a tia e o tio, que ainda não conseguem contar-lhe a verdade.
“Ela está sozinha. Nós somos a única família que lhe resta. Isto é muito, muito, muito, muito mau”, descreveu o tio.
Caso de Zainab é um entre muitos
O conflito no Médio Oriente tem-se revelado particularmente mortífero para as crianças. Nas últimas seis semanas, foram registadas 166 mortes de menores e cerca de 650 feridos graves.
O exército israelita afirma que os ataques têm como alvo combatentes do Hezbollah, mas médicos no Líbano alertam para o número anormalmente elevado de vítimas infantis.
“Se compararmos com a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, menos de 1% das vítimas na Ucrânia são crianças. Em Gaza, cerca de 30% das mortes são de menores. No Líbano, aproximadamente 14% das vítimas são crianças”, referiu uma médica.
Cerca de 20 crianças são mortas ou feridas por dia
Num hospital, um cirurgião britânico-palestiniano acompanha vários casos graves. Entre eles está um bebé de nove meses, atingido quando a parede do quarto desabou após uma explosão. A criança sofreu ferimentos na cabeça que provocaram acumulação de sangue e pressão sobre o cérebro, exigindo uma intervenção cirúrgica delicada.
“Temos agora o maior conjunto de casos de lesões cerebrais traumáticas em crianças no mundo, como resultado da guerra”, revelou o médico.
A mãe da bebé, que pediu anonimato, relatou o momento do ataque. A família tinha fugido de casa e encontrava-se num apartamento de amigos quando a explosão fez colapsar uma parede, soterrando a filha.
“Levantei-me, o meu marido começou a procurá-la. Todos ajudaram. Ela estava debaixo dos escombros. Não gosto de recordar. Tiraram-na e o meu marido levou-a a correr para o hospital mais próximo”, contou.
Desde o início de março, cerca de 20 crianças são mortas ou feridas por dia no Líbano, num conflito que continua a deixar um rasto de destruição e sofrimento entre a população mais jovem.
