Economia

Bailarina do New York City Ballet quebra tabu ao usar aparelhos auditivos em palco

[

Olhares pelo Mundo

A bailarina Sara Mearns tornou-se a primeira do New York City Ballet a usar aparelhos auditivos em palco, quebrando o estigma da perda auditiva e inspirando outros a procurarem ajuda para esta condição.

Loading…

Sara Mearns começou a ter dificuldades durante os ensaios. Falhava entradas, não conseguia ouvir o parceiro do outro lado do estúdio e perdia indicações dos diretores de repertório. A música parecia demasiado baixa.

Preocupada, decidiu avaliar a audição. O diagnóstico confirmou perda auditiva.

Durante anos, a bailarina viveu a situação em silêncio.

“Levei cerca de dois anos para me sentir completamente à vontade para pedir ajuda”, disse Mearns, de 40 anos, em entrevista à Associated Press.

A vida tornou-se exaustiva. No fim de cada dia, estava esgotada pelo esforço de pedir às pessoas que repetissem o que diziam e por perder conversas e piadas.

Com o apoio da terapeuta da fala Marta Gielarowiec, percebeu melhor a extensão da perda e encontrou aparelhos auditivos adaptados às exigências da sua vida profissional.

Quando saiu do consultório com os aparelhos pela primeira vez, a experiência foi intensa: ouvia os sapatos no chão, o canto dos pássaros e até o ondular de uma bandeira à distância. Ao regressar ao camarim, chorou.

Dançar com aparelhos auditivos

Hoje, Sara Mearns é a primeira bailarina do New York City Ballet a usar aparelhos auditivos em palco e durante as atuações.

Agora, consegue ouvir toda a beleza e potência da orquestra.

“Subir ao palco e ouvir a orquestra completa pela primeira vez foi como se tudo estivesse abafado, e para mim, a música é essencial. Ela flui através de mim, depois o facto de não estar a ouvir tudo, e depois quando subi ao palco, pensei: ‘Meu Deus!’. Era o que toda a gente ouvia há anos e que eu simplesmente não estava a ouvir, era como se se tivesse transformado num mundo silencioso. Um mundo solitário, escuro e silencioso ao qual já me tinha habituado”.

Um problema mais comum do que parece

A perda auditiva é mais frequente em idades avançadas, mas pode surgir em qualquer fase da vida. Entre as causas estão danos nos nervos, infeções, traumatismos cranianos ou fatores genéticos.

No caso de Sara, pode ter sido combinação de fatores e exposição a ruídos elevados.

“Acho que o que é realmente triste é que as pessoas pensam muitas vezes que a perda auditiva é um problema dos idosos, dos nossos avós e assim por diante, mas na verdade a perda auditiva afeta todas as idades”, disse o Dr. Anil Lalwani, do Centro Médico Irving da Universidade de Columbia.

Depois de ultrapassar a resistência inicial, Mearns decidiu assumir publicamente a condição.

“Não quero que as pessoas sintam o que eu senti, vergonha e silêncio sobre o assunto, porque agora que já ultrapassei isso, sabes, estou muito feliz. É um nível de felicidade que nem imaginava ser possível”.



SIC Noticias

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *