“Cada vez mais, fruto dos tempos que também vivemos, os Açores assumem essa mesma centralidade e essa importância acrescida dada a sua geografia que, como eu costumo muitas vezes dizer, torna-nos um país maior e com maior profundidade e obriga-nos a pensar grande”, afirmou em declarações à agência Lusa o general João Cartaxo Alves.
O CEMGFA foi hoje recebido em audiência de apresentação de cumprimentos pelo presidente do Governo Regional dos Açores (PSD/CDS-PP/PPM), José Manuel Bolieiro, no Palácio de Sant’Ana, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel.
João Cartaxo Alves referiu que a centralidade geográfica do arquipélago dos Açores “obriga-nos a pensar de uma forma estratégica diferente”.
E prosseguiu: “Repare que a distância que vai aqui das Flores, da nossa zona económica exclusiva das Flores, até à fronteira de Espanha é a mesma que vai de Lisboa a Kiev [capital da Ucrânia]. Portanto, é quase um continente, o continente europeu. E isso obriga-nos a ter uma responsabilidade acrescida”.
Segundo o CEMGFA, no encontro com José Manuel Bolieiro foram também trocadas ideias sobre “em que é que as Forças Armadas podem ser melhores e podem dar uma ajuda a essa mesma centralidade e podem, obviamente, no âmbito do duplo uso que os seus sistemas têm, apoiar de uma forma mais continuada a autonomia”.
Acrescentou que foram trocadas ideias sobre a possibilidade de ser feito algum reequipamento na região através do programa europeu SAFE (Security Action for Europe).
“Nomeadamente começar a dotar os Açores com capacidade de monitorização radar e de novos radares que nos vai permitir até uma maior segurança na navegação aérea, que até agora não existia. E, obviamente, o início desse programa irá dar essa consistência futura”, admitiu o general.
Referiu ainda outras áreas, nomeadamente ao nível da investigação, com a ligação das Forças Armadas à Escola do Mar e a “implementação e consolidação do ecossistema espacial que já existe em Santa Maria”, com a criação de novas valências que a Força Aérea irá ter.
“O que, obviamente, vai, ao nível económico, providenciar também um maior conjunto de empregos, uma maior resiliência, uma maior coesão nacional e uma maior coesão também nos Açores, no acesso a esses empregos diferenciados”, concluiu o CEMGFA.
Por sua vez o presidente do Governo Regional dos Açores afirmou à Lusa que o general João Cartaxo Alves “é um conhecedor dos Açores, porque na sua anterior missão, enquanto Chefe de Estado-Maior da Força Aérea, já deu muitas e boas aportações ao papel das Forças Armadas Portuguesas, da Força Aérea em particular, nos Açores e aos açorianos”.
“E hoje, na sua nova qualidade de chefe de Estado Maior-Geral das Forças Armadas, leva consigo todo este conhecimento e a relevância que reconheceu desde sempre e que agora confirmou que os Açores têm no plano estratégico para Portugal, para a União Europeia e para a NATO”, assumiu.
Segundo Bolieiro, na reunião foi feita uma reflexão conjunta no sentido de que os Açores “acrescentam muito valor a Portugal e que Portugal é um grande país europeu e global, porque o seu território não se reduz à sua condição terrestre e demográfica, mas sobretudo à sua condição marítima e espacial”.
“E aí estamos a falar de um grande país que aporta uma fronteira muito importante à União Europeia e que, para futuro, nos novos ‘clusters’ que as economias e a importância da segurança e defesa apresentam a Portugal, à União Europeia e à NATO, os Açores são relevantes”, disse.
Na sua opinião, qualquer investimento que Portugal possa fazer tem de valorizar as Forças Armadas e, “valorizando as Forças Armadas portuguesas e Portugal, valoriza os Açores, mesmo na sua capacitação de infraestruturas essenciais que, em duplo uso, ajudarão os Açores no seu projeto de coesão social e territorial de aproximação à qualidade de vida que o país continental e o país integrado na União Europeia pode apresentar”.
O governante lembrou que a geografia açoriana é “penosa para os residentes” mas “é muito vantajosa para Portugal, para a União Europeia, para a NATO e até mesmo para o prestígio global enquanto ator internacional que Portugal, a NATO e a União Europeia representam”.
“Por isso, também, devemos ter, perante essa utilidade, alguma compensação, algum reconhecimento nos investimentos, em infraestruturas que através do duplo uso nos possam alavancar no nosso desenvolvimento e nas nossas capacidades de bem servir as nossas populações”, defendeu.
O programa SAFE é uma “bela oportunidade” para “alavancar alguns investimentos que possam ter sede aqui nos Açores”, concluiu Bolieiro.
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