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Cerca de 250 migrantes desaparecidos após naufrágio no Oceano Pacífico


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O barco, que tinha partido do Bangladesh e se dirigia para a Malásia, “terá afundado devido a ventos fortes, mar agitado e sobrelotação” no Mar de Andaman, na semana passada, afirmaram as agências das Nações Unidas responsáveis pelos refugiados e pela migração. Cerca de 250 pessoas, de entre as quais crianças, estão desaparecidas.

Javier Bauluz

A bordo estavam pessoas naturais do Bangladesh e rohingyas, muçulmanos de Myanmar que são uma das minorias mais perseguidas no mundo e que têm fugido através da fronteira para o Bangladesh desde 2017.

As más condições de vida no Bangladesh também levaram a que alguns rohingyas viajassem em embarcações sobrelotadas e sem condições para a Malásia, país que consideram ser um refúgio na região.

Outra embarcação vinda do Bangladesh já tinha naufragado

Não se sabe ao certo quando é que o barco naufragou, mas na semana passada, a 9 de abril, o petroleiro “Meghan Pride” com a bandeira do Bangladesh resgatou nove pessoas que estavam “agarradas a tambores e destroços de madeira” para se manterem à tona, informou a Guarda Costeira, de acordo com a BBC.

Um membro daquela autoridade disse que as pessoas resgatadas do naufrágio da semana passada tinham partido do Bangladesh no dia 4 de abril para rumar à Malásia “na esperança de uma vida melhor”.

O oficial disse ainda que o barco foi apanhado por uma tempestade e que os sobreviventes ficaram quase dois dias à deriva no mar. Depois, acabaram por ser encontrados pelo petroleiro “Meghan Pride”, que se dirigia à Indonésia.

Os nove sobreviventes afirmaram ter visto cerca de 100 pessoas.

“Mas o número exato ainda é desconhecido”, acrescentou o oficial da Guarda Costeira. “Não há vestígios dos outros nem do barco”, acrescentou.

Rafiqul Islam, um dos sobreviventes, disse à AFP que ficou à deriva durante quase 36 horas antes de ser resgatado e que sofreu queimaduras causadas pelo óleo derramado da embarcação.

“Este trágico incidente reflete as terríveis consequências do deslocamento prolongado e da ausência de soluções duradouras para os rohingya”, escreveu na terça-feira, num comunicado, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) em conjunto com a Organização Internacional para as Migrações.

Migrantes são detidos, deportados ou não sobrevivem à viagem

Os barcos que transportam migrantes são, na sua maioria, pequenos e sem condições básicas como saneamento e acesso a água potável. Muitas embarcações não chegam sequer ao destino final. Muitas vezes, os migrantes acabam por ser detidos ou deportados e, inclusive, muitas pessoas acabam por morrer em alto mar.

Para além disto, há vários casos de migrantes que são recusados quer pelas autoridades, quer pelas comunidades costeiras locais, quando se aproximam da Malásia e da Indonésia.

Em janeiro de 2025, a Malásia recusou dois barcos que transportavam cerca de 300 refugiados.

“As pessoas estão a morrer nos combates, a morrer de fome. Por isso, alguns acham que é melhor morrer no mar do que morrer lentamente aqui”, disse anteriormente à Reuters um refugiado rohingya em Cox’s Bazar, no Bangladesh.

No comunicado, as agências da ONU apelaram à comunidade internacional para que mantenha o financiamento destinado aos refugiados rohingya e às suas comunidades de acolhimento no Bangladesh.

“Enquanto o Bangladesh celebra o seu ano novo, esta tragédia é um lembrete dos esforços urgentemente necessários para abordar as causas profundas do deslocamento em Mianmar e criar condições que permitam aos refugiados rohingya regressar a casa voluntariamente, em segurança e com dignidade”, lê-se ainda no mesmo documento.



SIC Noticias

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