Agronegócio

Construção da barragem Redonda das Olgas arranca em duas semanas


A construção da barragem Redonda das Olgas, no concelho de Vila Flor, vai arrancar dentro de duas semanas, avançou, hoje, o presidente da câmara, após a obra ter ficado parada durante um ano, devido a uma ação judicial.

O autarca Pedro Lima adiantou, à Lusa, que esta terça-feira foi “finalmente” assinado o auto de consignação para a construção da albufeira e, quanto ao perímetro de rega, que abrangerá 600 hectares e que já está a ser construído, deverá ficar pronto este verão.

“É a luz verde para o início da obra em si, portanto, muito brevemente, no espaço de duas semanas, no máximo, já vamos começar a ter movimentações, nomeadamente a construção do estaleiro, os acessos para realizar a obra (…), estando tudo alinhado, finalmente – posso dizê-lo desta forma – em termos de licenciamentos e entidades que temos de envolver, porque é uma obra bastante complexa”, avançou.

O aproveitamento hidroagrícola vai ser construído na aldeia de Freixiel e vai custar cerca de 20 milhões de euros, financiados por fundos europeus, através do Plano de Desenvolvimento Regional.

Divide-se em duas fases, a construção do perímetro de rega, no valor de cerca de cinco milhões de euros, e na construção da própria barragem, em quase 10 milhões de euros. Os restantes cinco milhões de euros foram aplicados em projetos, vias de acessos e expropriações de terrenos.

Em março de 2023, o município lançou o concurso público para a construção do aproveitamento hidroagrícola, mas só ao terceiro foi adjudicada a obra, após dois concursos terem ficado desertos.

Após adjudicação, surgiu um novo contratempo. O quarto classificado do concurso público interpôs uma ação em tribunal, o que teve um efeito suspensivo no processo e a empreitada nunca chegou a avançar.

Só um ano depois, o processo foi desbloqueado e a construção da barragem Redonda das Olgas começará a ser construída, com um prazo de execução de 16 meses.

A barragem é reivindicada há vários anos, tendo o processo começado em 2015. Desde então que o município luta pela concretização do “maior investimento para Vila Flor”, num processo que Pedro Lima disse ter sido “demasiadamente longo”, criticando o excesso de burocracia e entidades envolvidas.

“Os investimentos estruturantes neste país demoram sempre muito tempo, porque temos demasiadas entidades que têm que dar o seu parecer e que depois, por vezes, por questões que são completamente superficiais, que não são propriamente importantes, barram, bloqueiam estas obras que são realmente muito importantes para o desenvolvimento dos nossos territórios”, criticou.

O autarca mostrou-se indignado com os vários entraves, salientando que “uma barragem até potencia a fauna selvagem”.

“Normalmente, estas ribeiras que são aproveitadas para estes fins agrícolas, são efémeras, ou seja, deixam de correr quando vem o verão, portanto, quando vem o verão, a fauna selvagem deixa de ter qualquer tipo de água disponível. Se existir uma barragem (…), esta fauna selvagem terá pelo menos um local onde saciar a sua sede. Também existe nestes aproveitamentos hidroagrícolas a consciência ambiental de que tem que se ir repondo, manter um caudal ecológico”, frisou.

No concelho de Vila Flor, o setor agrícola tem grande relevância, sendo o principal pilar económico do concelho.

A construção da barragem Redonda das Olgas vai permitir regar terrenos agrícolas, sendo que dois terços desses terrenos são vinha.



AgroPortal

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