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David Bowie "regressa" aos concertos em Londres num espetáculo multimédia


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Dez anos após a morte de David Bowie, um novo espetáculo imersivo em Londres recria a energia dos seus concertos através de imagens raras, som e projeções em grande escala.

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A produção, intitulada “David Bowie: You’re Not Alone”, decorre no espaço Lightroom, onde imagens são projetadas em quatro paredes com cerca de 11 metros de altura, Envolvendo os espectadores num ambiente que recria a energia dos concertos.

“O espetáculo é uma espécie de híbrido, uma mistura de experiência teatral, documentário e música ao vivo. Combinamos diversos materiais do arquivo de Bowie, incluindo fotografias, letras escritas à mão, imagens raras de concertos. E o espetáculo é narrado pelo próprio Bowie”, explica Mark Grimmer, argumentista e co-realizador de “David Bowie: You’re Not Alone”.

O objetivo não foi recriar um concerto de forma literal, mas captar a sua essência.

“O que queríamos fazer era dar às pessoas que não tiveram a oportunidade de ver Bowie ao vivo uma ideia da emoção e da sensação que esta experiência poderia ter proporcionado e queríamos fazer isso não recriando literalmente um concerto, mas tentando criar o espírito, a energia e a atmosfera”.

A reinvenção e experimentação

David Jones nasceu em Brixton, no sul de Londres, a 8 de janeiro de 1947. Com o nome artístico, David Bowie alcançou o sucesso no Reino Unido em 1969 com “Space Oddity”. Mas foi a criação da personagem Ziggy Stardust, em 1972, que o projetou internacionalmente.

A figura andrógina e teatral tornou-se central na estética do glam rock. No entanto, Bowie abandonou-a pouco depois, num gesto que marcaria toda a sua carreira.

O último concerto como Ziggy Stardust teve lugar em 1973, no Hammersmith Odeon, e imagens dessa atuação integram o novo espetáculo.

“Esse momento em 1973 foi muito interessante. Ziggy Stardust tinha acabado de explodir e ele já andava a interpretar essa personagem em palco há alguns anos e foi nessa altura que se tornou um nome conhecido. Mas, num movimento típico de Bowie, ele decidiu matar a personagem Ziggy Stardust no auge da sua fama. E Bowie, ao longo da sua carreira, nunca se demorou muito tempo em nada. gostava de se desafiar e seguir em frente. As imagens que se veem no espetáculo foram retiradas da última atuação que ele fez como Ziggy Stardust. Acho que é caraterístico, é mesmo à Bowie. É muito caraterístico de Bowie que ele tenha decidido acabar mesmo no auge da sua fama”.

Uma carreira em constante transformação

Ao longo das décadas seguintes, Bowie explorou diferentes sonoridades, da eletrónica ao rock, do soul ao funk, até chegar ao sucesso global nos anos 1980 com temas como “Let’s Dance”. O espetáculo percorre toda essa evolução, desde os primeiros anos até às últimas gravações.

“Ao longo da sua carreira, nunca se acomodou a nada durante muito tempo. Gostava de se desafiar e de seguir em frente”, disse Grimmer

O espetáculo percorre toda a carreira de Bowie, desde os primeiros dias em que ele estava a tentar perceber que tipo de compositor queria ser, que tipo de artista queria ser, até às suas últimas gravações e à sua morte em 2016.

“Oferecemos ao público toda a gama da sua produção criativa e espero que as pessoas tenham a oportunidade de ver como ele evoluiu ao longo do tempo, como a sua prática mudou, como continuou a reinventar-se e como se manteve na vanguarda até ao fim da sua vida.”

Bowie morreu em 2016, aos 69 anos, vítima de cancro, dois dias após o lançamento do álbum “Blackstar”. Para o co-realizador, o impacto do artista permanece:

“Acho que o que Bowie tem de especial é o facto de ser intemporal. O seu atrativo perdura ao longo dos tempos. E eu acho que gostaria de pensar que ele também vai continuar a ser relevante para as pessoas durante muito tempo. Acho que uma das coisas que Bowie representava era a abertura, a tolerância, a curiosidade, o que podemos aprender com as outras pessoas através da cultura, através de conversas. E penso que, numa altura em que o mundo parece bastante fragmentado e talvez dividido, a sua mensagem sobre o poder da criatividade para unir pessoas para as unir num interesse comum, é muito, muito poderosa. E talvez essa seja uma mensagem de que precisamos agora mais do que nunca.”

O espetáculo estará em exibição em Londres entre 22 de abril e 10 de outubro de 2026. A equipa admite a possibilidade de levar a produção a outros países

“Temos espaços Lightroom em todo o mundo, e há certamente um interesse global pela obra de David… Por isso, espero que possamos levar a exposição para além de Londres”.



SIC Noticias

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