Mundo

“Ele partiu nos meus braços após 50 minutos de espera”: familiares das vítimas da greve do INEM testemunham na comissão de inquérito


País

Esta quarta-feira foram ouvidos, na comissão de inquérito, os familiares das vítimas mortais associadas às greves do INEM de 2024. No Parlamento, a ministra da Saúde voltou a recusar demitir-se, afirmando que não tem por “hábito sair de fininho”.

Loading…

“É duro todos os dias ver partir nas nossas mãos a pessoa que nós amamos”, afirmou Carla Rocha, familiar de uma das vítimas.

“Sim, ele partiu nos meus braços dentro de uma carrinha onde eu, em desespero, levava-o para o hospital. Após 50 minutos de espera de socorro em casa”, acrescentou.

O marido de Carla Rocha morreu a 4 de novembro de 2024.

“Digo aqui presente a todos vós, senhores deputados e senhoras deputadas, que foi devido à greve que o meu Sérgio foi embora”, disse ainda Carla Rocha.

Numa semana em que os holofotes voltaram a estar virados para a ex-secretária de Estado da Gestão da Saúde, após alegadas contradições sobre o conhecimento do pré-aviso de greve do INEM, a chefe de gabinete de Cristina Vaz Tomé reiterou que a antiga governante não sabia da greve.

“Eu tive conhecimento de um aviso do pré-aviso, ok, que despachei para o meu gabinete, de um aviso a dizer que iriam enviar um pré-aviso, que não achei que era importante estar a informar a Senhora Secretária de Estado de um aviso do pré-aviso”, afirmou Anabela Mendes Garcia Barata.

Durante o período de greve do INEM, entre 30 de outubro e 4 de novembro de 2024, morreram 12 pessoas. De acordo com a IGAS, três estão associadas a atrasos no socorro.

Na reunião plenária desta quarta-feira, a bancada do Chega confrontou a ministra da Saúde com estes casos e pediu a sua demissão.

“Senhora Ministra, se não consegue resolver os problemas, saia de fininho e dê a sua pasta a esta bancada. Nós sabemos tratar da saúde dos portugueses”, disse Pedro Frazão.

“Não, senhor deputado Pedro Frazão, desculpe, não vou sair de fininho porque não tenho hábito nem de sair, nem de fininho, nem uma coisa, nem a outra”, respondeu Ana Paula Martins.

Mais de quatro meses depois do início da comissão parlamentar de inquérito ao INEM, continuam por esclarecer o que falhou e quem poderá ser responsabilizado.



SIC Noticias

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *