Portugal

Escola com sentido valoriza professores e não impõe ditadura dos resultados

“Não se pode falar de uma escola com sentido quando a profissão docente não é social e salarialmente valorizada, quando se exige cada vez mais responsabilidade, mas se oferece cada vez menos reconhecimento”, disse Júlia Azevedo no Funchal, na abertura das IX Jornadas de Educação do SIPE Madeira que decorrem subordinadas ao tema “Escolas com Sentido: Simplificar, Inovar e Valorizar”.

Neste encontro que reúne cerca de 160 especialistas em educação, a dirigente sindical argumentou que “não se pode falar de uma escola com sentido quando os professores não têm tempo para ensinar, quando o seu quotidiano é capturado por uma acumulação crescente de tarefas burocráticas que os afastam do essencial”.

Também censurou o facto de ser cada vez mais exigido aos docentes “total dedicação”, sendo-lhes devolvido “instabilidade, desgaste e desvalorização”.

A sindicalista sublinhou que a educação integral não pode ser “progressivamente substituída pela ditadura dos resultados dos exames”, ficando os professores sobre a pressão de dar matéria, o que se sobrepõe “ao tempo necessário para consolidar aprendizagem, desenvolver competências e formar pessoas completas”.

“Não se pode falar de uma escola com sentido sem autonomia pedagógica”, reforçou.

Para a dirigente do SIPE, uma “escola com sentido exige tempo, exige respeito pela profissão docente, equilíbrio entre avaliação e aprendizagem e de tudo confiança nos professores” onde os docentes têm tempo e dignidade para exercer a sua missão com liberdade pedagógica e com a possibilidade de utilizarem os recursos que entenderem ser os mais eficazes.

Ainda sustentou que nessa escola os “alunos não são números e os professores não são peças substituíveis”, porque “não há nenhum chat, nenhum Google, não há nada que possa substituir a figura do professor na sala de aula”.

Nesta sessão de abertura participaram ainda a secretária regional da Educação da Madeira, Elsa Fernandes, que destacou as medidas legislativas que têm sido adotadas nesta região para valorizar os professores e permitir que recuperem os tempos na carreira docente e ainda o presidente da Câmara Municipal do Funchal, Jorge Carvalho, que tutelou a pasta no governo madeirense.

Leia Também: Crise da habitação e lixo refletem “incapacidade” da nova governação de Moedas



Noticias ao minuto

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *