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Falsos arrendamentos geraram 4.553 queixas em 3 anos. Os conselhos da PSP

A Polícia de Segurança Pública (PSP) revela esta quarta-feira, 22 de abril, que nos últimos três anos registou 4.553 crimes de burla por falso arrendamento de bens imóveis.

Desde 2023 que esta autoridade tem observado uma “ligeira descida” no número de ocorrências participadas, uma tendência que se verificou também no primeiro trimestre de 2026.

De acordo com os dados enviados por esta força de segurança ao Notícias ao Minuto, em 2023 foram registadas 1.542 casos de burla por falso arrendamento de imóveis. Em 2024 foram feitas 1.511 denúncias e em 2025 1.500.

Já no primeiro trimestre de 2026 foram denunciados 325 casos, o que, face ao período homólogo de 2025 (361) corresponde a uma diminuição de 10%, ou seja, menos 36 denúncias registadas

Apesar disso, a PSP alerta que tem registado um aumento de crimes de burla em geral nos últimos tempos, a comprovar pela “elevada quantidade diária de ocorrências participadas”.

Na nota enviada, a autoridade dá conta que com a evolução digital, “os métodos utilizados não são facilmente detetáveis e caracterizam-se por uma progressiva sofisticação e perigosidade, com intenção de obter enriquecimento ilegítimo para quem os pratica ou para terceiros, gerando prejuízos financeiros significativos”.

A nível das fraudes informáticas, as burlas em plataformas de alojamento online tornaram-se um “problema crescente”, cujo esquema fraudulento induz as vítimas a pagar antecipadamente por imóveis inexistentes ou já ocupados.

A PSP recorda que estes esquemas “ocorrem frequentemente através de anúncios online e classificados de jornais” e, geralmente, oferecem acomodações atrativas, a preços vantajosos, muitas vezes com imagens e moradas reais.

Os burlões contactam as vítimas por e-mail ou telefone, negoceiam o pagamento e coagem as mesmas a transferir o dinheiro, via transferência bancária, cheque ou envio de dinheiro. No entanto, no final, quem arrenda o imóvel perde o montante e não tem acesso ao prometido.

Segundo esta autoridade os criminosos atuam de várias formas:

  • Após receberem o dinheiro, tiram o anúncio do imóvel da internet, bloqueiam todos os contactos e a vítima apercebe-se logo que foi burlada;
  • O burlão recebe o dinheiro, mantém o contacto com a vítima e a sua postura até ao fim, sem levantar suspeitas e a vítima só dá conta da burla depois de ter feito a viagem até ao destino e só aí constatar que o negócio não existia;
  • Alguns grupos de burlões optam por utilizar documentos de terceiros (também vítimas) para fazer com que a vítima confie no negócio.

Garante a PSP que está “alerta a este fenómeno” e que, além da aposta que tem sido feita na repressão do mesmo, tem incrementado esforços de prevenção, com a sensibilização dos cidadãos para os comportamentos de segurança, de forma a evitarem cair nestes esquemas.

Nesse sentido, a PSP deixa alguns conselhos:

  • Procurarsites, jornais ou empresas de classificados que garantam a confirmação da veracidade dos anúncios neles publicados;
  • Desconfiar dos anúncios em que os preços são abaixo do valor de mercado. Para tal, basta comparar com anúncios de imóveis com características semelhantes e situados na mesma área geográfica;
  • Pesquisar os dados do imóvel nainternet (morada, designação do condomínio, dados e contactos do anunciante, entre outros), pois poderão existir referências a burlas anteriores;
  • Solicitar dados adicionais sobre a habitação: fotos do interior, cópia de contratos de fornecimento de eletricidade, luz ou gás, conferindo os dados de identificação e endereço indicado;
  • Estar atento aos pormenores da habitação. Verifique se coincide com a morada que é fornecida, procurando nos mapas disponíveis na internet;
  • Pesquisar as imagens apresentadas no anúncio a fim de verificar se são verdadeiras;
  • Verificar se o nome que está associado ao IBAN fornecido para o pagamento coincide com o do proprietário/empresa ou anunciante;
  • Evitar qualquer tipo de transferência monetária para pessoas que anunciam o arrendamento de imóveis nainternet sem que esteja certo que o anunciante é legítimo;
  • Não aceder a endereços enviados através dee-mails ou de outras plataformas de arrendamento para efetuar o negócio;
  • Contactar imediatamente o seu banco se o anunciante informar que não recebeu qualquer valor ou que existem problemas no processamento do pagamento, solicitando nova transação. Caso se verifique a existência de fraude, cancele imediatamente o pagamento já efetuado;
  • Guardar todas as trocas dee-mails, fotografias e mensagens, caso o arrendamento não corra como acordado ou tenha sido vítima de burla.

A PSP apela ainda a que quem tenha sido vítima ou suspeite deste tipo de esquemas que alerte as autoridades o mais depressa possível pois quando mais célere for a denúncia mais depressa serão efetuadas diligências para chegar aos autores do crime e evitar mais vítimas.

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