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Circulam nas redes sociais várias publicações que mostram cartazes informativos em crioulo expostos no Hospital Amadora-Sintra. As imagens estão a gerar críticas e acusações sobre uma alegada “substituição” da língua portuguesa num serviço público de saúde. Mas corresponde esta leitura aos factos? A SIC Verifica.
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Na internet, há quem se mostre indignado com a presença de cartazes informativos em crioulo afixados nas paredes do Hospital Amadora-Sintra. Nas redes sociais, multiplicaram-se as reações e opiniões sobre o caso.
Rui Paulo Sousa, deputado do Chega, não perdoou a escolha do hospital e na rede social X criticou a “substituição” da língua portuguesa num serviço público de saúde e considerou que “não é aceitável” que, “num hospital público financiado pelos contribuintes, a língua de comunicação deixe de ser o português”, defendendo que esta deve manter-se como “referência principal”.
“O nosso SNS é mesmo altamente ‘inclusivo'”, escreveu outro utilizador do X de forma irónica.
Hospital deixou de comunicar em português?
Em resposta à SIC, a ULS Amadora/Sintra esclarece que “não deixou, em momento algum, de disponibilizar informação em língua portuguesa nos seus materiais e cartazes afixados”.
Segundo a mesma entidade, as imagens partilhadas dizem respeito a uma campanha informativa associada à reorganização da urgência pediátrica, implementada em fevereiro de 2024, no âmbito do modelo de “Urgência Pediátrica Referenciada”.
O objetivo desta campanha passava por sensibilizar os utentes para o uso adequado dos serviços de urgência, nomeadamente incentivando o contacto prévio com a linha SNS 24 antes da deslocação ao Hospital Fernando de Fonseca, sempre que não se trate de uma situação emergente.
A ULS Amadora/Sintra explica ainda que, no âmbito dessa campanha, os materiais informativos foram produzidos em várias línguas, tanto em português como inglês, francês, crioulo guineense e crioulo cabo-verdiano, “de forma a garantir a sua compreensão por uma população cultural e linguisticamente diversa”.
“Esta abordagem pontual de tradução de materiais informativos visa promover e reforçar a literacia em saúde, a segurança dos cuidados e a correta utilização dos serviços junto da comunidade que servimos”, salienta ao SIC Verifica.
Ainda assim, a ULS Amadora/Sintra sublinha que “a língua portuguesa é a base de todos os materiais institucionais“ e que os conteúdos noutras línguas “são complementares”, não substituindo o português.
A SIC Verifica que é…
As acusações de que o Hospital Amadora-Sintra teria “substituído” a língua portuguesa por crioulo na sua comunicação não correspondem aos factos. A ULS Amadora/Sintra esclarece que todos os materiais institucionais continuam a ser produzidos em português e que os cartazes em outras línguas fazem parte de uma campanha de promoção da literacia em saúde, destinada a uma população linguisticamente diversa, funcionando como complemento e não substituição do português.
