“A Lusa celebra este ano o seu 40.º aniversário e os seus valores são o rigor, a clareza, a pluralidade, a independência e a fiabilidade, partilhados por todos os profissionais desta casa através de um serviço público de qualidade. A atividade de uma Agência de Notícias não se coaduna com qualquer condicionamento à prática jornalística por parte de qualquer entidade”, afirmou a administração da empresa, numa nota enviada aos trabalhadores. ´
Em causa está um incidente ocorrido na última reunião camarária, na sequência da publicação de uma notícia sobre a Casa do Cinema de Coimbra, na qual o jornalista da Lusa João Gaspar dava conta de que o espaço está em risco de perder a sua licença por o município não avançar com o plano de reabilitação acordado, referindo que questionou o executivo municipal, mas não obteve resposta.
Ana Abrunhosa acusou o jornalista de ter cometido uma falha deontológica grave e de ter uma agenda política.
O Conselho de Administração da Lusa reuniu-se hoje, em Coimbra, com o autor da notícia e com o delegado regional da Lusa, na presença da diretora de informação da agência, para manifestar “solidariedade e confiança” no trabalho “de independência e rigor” do jornalista.
A administração e a direção da empresa disponibilizaram formalmente o seu apoio ao jornalista e ao delegado regional que, “naturalmente, aguardam um pedido de desculpas por parte da autora da acusação injustificável”.
Também hoje, o presidente do Sindicato dos Jornalistas (SJ) sublinhou que os jornalistas são escrutinados todos os dias e desafiou a presidente da Câmara de Coimbra a dizer que “violação grave à ética” fez o jornalista da Lusa.
“Ela [Ana Abrunhosa] questionou se os jornalistas não podem ser escrutinados. São escrutinados todos os dias, como verificamos em vários processos, ultimamente. Não podem é ser punidos ou atacados por escrutinarem quem têm de escrutinar”, disse Luís Filipe Simões à saída da Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), em Lisboa.
Na sexta-feira, na sequência deste episódio, a Direção de Informação da agência Lusa escreveu uma carta à presidente da Câmara de Coimbra “repudiando acusações” que a autarca dirigiu ao jornalista, durante uma reunião pública do executivo camarário.
Numa nota depois emitida, a DI da Lusa considerou que as acusações feitas por Abrunhosa foram “descabidas, infundadas e difamatórias”.
A DI reiterou a sua confiança no jornalista João Gaspar, “cujo percurso de jornalismo na Lusa é irrepreensível”.
Na mesma nota, a direção acentuou que o jornalista se limitou a fazer uma notícia a propósito da Casa do Cinema de Coimbra, dando conta das preocupações do coordenador do espaço.
Os membros eleitos do Conselho de Redação (CR) da Lusa repudiaram igualmente, em comunicado, “nos termos mais enérgicos o comportamento antidemocrático” de Ana Abrunhosa.
A Comissão de Trabalhadores também “condenou com veemência” as afirmações da antiga ministra.
O PS já se demarcou da atitude da autarca, que foi também condenada pelo BE, IL, PCP, bem como pelo Movimento Somos Coimbra.
Leia Também: Sindicato defende jornalistas: “Não podem ser punidos por escrutinar”
