Agronegócio

Nova abordagem de inspeção pode melhorar bem-estar dos animais de produção, indica estudo


Um estudo do Royal Veterinary College (RVC) concluiu que a observação dos animais de produção no momento de serem entregues nos matadouros permite melhorar significativamente a deteção de problemas de bem-estar, em comparação com as inspeções realizadas apenas nos locais de espera para abate.

A investigação, publicada na revista Veterinary Record, analisou a eficácia dos métodos de inspeção pré-abate, comparando observações feitas durante o descarregar dos animais com aquelas realizadas posteriormente.

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O estudo incidiu sobre milhares de animais, incluindo bovinos, ovinos e suínos, num matadouro do Reino Unido. Os resultados indicam que a observação durante o descarregar dos animais aumentou de forma significativa a deteção de problemas como claudicação e quedas. Em alguns casos, as taxas de identificação destes problemas foram mais de dez vezes superiores.

Segundo os investigadores, esta diferença deve-se ao facto de a falta de bem-estar dos animais ser mais evidente quando os animais estão em movimento, tornando-se menos percetível quando se encontram parados.


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Todos os anos, milhões de animais são transportados para matadouros no Reino Unido, estando sujeitos a riscos como lesões, fadiga e sofrimento durante o transporte. No entanto, estes problemas nem sempre são identificados pelos sistemas de inspeção atualmente em vigor.

Com base nos resultados, a equipa propõe a adoção de uma abordagem prática que consiste na realização de verificações visuais durante o descarregar dos animais. Este método permite uma identificação mais precoce de problemas de saúde, facilitando a intervenção por parte dos médicos veterinários e a comunicação com produtores e transportadores.

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De acordo com o estudo, a implementação desta abordagem pode contribuir para reduzir o sofrimento dos animais até ao abate e melhorar o cumprimento das normas de segurança alimentar. Os investigadores sublinham ainda que esta prática pode ser integrada nas operações dos matadouros sem causar interrupções.

Para Sayaka Mochizuki, autora principal do estudo, “o transporte de animais serve, em última análise, os interesses económicos e de mercado da humanidade. Embora a experiência seja relativamente breve, define os momentos finais da vida dos animais de produção e a natureza da sua morte. Temos a obrigação moral de realizar este processo da forma mais ética possível, e a nossa proposta oferece um caminho simples, mas eficaz, para uma norma mais adequada”.

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