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A operação ‘Monte Branco’, o maior processo sobre branqueamento de capitais em Portugal, iniciado em 2011 e com 47 arguidos, já rendeu ao Estado 6,4 milhões de euros em injunções, segundo a Procuradoria-geral da República.
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“No âmbito do processo conhecido como Monte Branco foram constituídos 47 arguidos. Relativamente a 18 desses 47 arguidos, houve separação de processos nos quais vieram a ser proferidas decisões de suspensão provisória ao longo do tempo, incluindo já o ano de 2026, as quais implicaram o pagamento ao Estado de injunções num total de cerca de 6,4 milhões de Euros”, refere a PGR em resposta à Agência Lusa.
Segundo a PGR, “foram ainda extraídas certidões que abrangeram três outros arguidos para o processo [Operação] Marquês”, cujo principal arguido é o ex-primeiro ministro José Sócrates.
“O processo encontra-se sujeito a aceleração processual”, adiantou a Procuradoria.
O caso ‘Monte Branco’ começou a ser investigado em junho de 2011, na sequência de um outro inquérito, a operação ‘Furacão’, tornada pública em 2005 e que investigava fraudes fiscais e branqueamento de capitais.
A operação ‘Monte Branco’ investigou o circuito financeiro entre gestores de fortunas suíços e seus clientes portugueses e a utilização de contas do suspeito Francisco Franco Canas, dono de uma antiga casa de câmbios na baixa lisboeta, em particular junto do BPN IFI e teve por base factos identificados na investigação do caso BPN e factos descobertos por via da prevenção do branqueamento de capitais.
Segundo informação do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) de Lisboa divulgada na altura, “a suspeita traduz-se na utilização de uma conta junto do BPN IFI para fazer circular fundos com origem em contas no exterior, em particular na Suíça, controladas por cidadãos nacionais, tendo por finalidade a introdução dos fundos no território nacional onde seriam disponibilizados em numerário, por ação de um particular, que recebe uma comissão em função do valor de cada operação”.
O esquema passava por uma antiga casa de câmbios na Rua do Ouro, em Lisboa, a Montenegro Chaves, propriedade de um dos principais arguidos do processo, Francisco Canas, conhecido por “Zé das Medalhas” e entretanto falecido, assim como outro dos arguidos, o construtor civil José Guilherme.
No processo, terão sido identificados fluxos financeiros, desde 2006, já com utilização da conta BPN IFI que atingiram cerca de 200 milhões de euros.
A operação envolveu na altura mais de 30 mandados de busca.
