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Quem beneficia com a "indústria do fogo"? Especialista ouvido no Parlamento deixa aviso


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O especialista em incêndios rurais Xavier Viegas alertou no Parlamento para o risco acrescido de fogos no próximo verão, mas afastou a existência de conluios ou interesses organizados na chamada “indústria do fogo”.

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Ouvido na comissão parlamentar de inquérito aos negócios dos incêndios, proposta pelo Chega, o professor da Universidade de Coimbra considerou que podem existir situações pontuais de irregularidades, mas rejeitou a ideia de ações concertadas.

“Não nego que possa haver casos isolados, mas são situações menores e localizadas. Não vejo conluios”, afirmou.

O especialista sublinhou que atividades associadas ao setor, como a gestão de madeira queimada ou os meios de combate, são inevitáveis, defendendo que não se deve partir de suspeitas generalizadas.

Apesar disso, deixou um aviso claro: as condições para o próximo verão podem ser mais difíceis.

Xavier Viegas destacou o aumento da violência dos incêndios e a acumulação de biomassa em áreas afetadas por tempestades recentes, fatores que podem agravar o risco.

Para mitigar esses perigos, defendeu o reforço de medidas de prevenção e combate, incluindo o uso de retardantes nas descargas aéreas e a presença de militares em dias de maior perigo.

O especialista reconheceu ainda que Portugal tem hoje mais meios e recursos, mas alertou que a capacidade de resposta tem limites.

Sobre os investimentos, mostrou reservas quanto à eficácia dos aviões Lockheed C-130 Hercules no combate aos fogos, considerando-os “dispendiosos” e pouco eficientes face ao número disponível, sugerindo uma maior aposta em outros meios aéreos.

Na mesma audição, defendeu também que não é necessário agravar as penas para crimes relacionados com incêndios, mas sim garantir a aplicação das leis já existentes.



SIC Noticias

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