Portugal

Quem é Nelson Vassalo, o autor do ataque à Marcha pela Vida?


O autor do ataque contra os participantes da Marcha pela Vida, no passado dia 21 de março, nas escadarias da Assembleia da República, foi detido pela segunda vez esta terça-feira, 14 de abril.

O anúncio foi feito pela Polícia Judiciária (PJ) ontem, quarta-feira, 15 de abril, num comunicado enviado às redações. De acordo com os inspetores, o homem, de 39 anos, que atirou um “um engenho incendiário improvisado do tipo ‘cocktail molotov’, contendo gasolina”, está indiciado pela tentativa da “prática dos crimes de infrações terroristas, detenção de arma proibida, incêndio, explosão e outras condutas especialmente perigosas e de ofensas à integridade física grave”.

Com o passar das horas, a identidade do suspeito foi revelada e soube-se que é militante do Partido Socialista (PS), o que levou o partido a instaurar-lhe um processo disciplinar, que poderá levar à sua expulsão. Para já, está suspenso.

O Partido Socialista (PS) instaurou um processo disciplinar contra um militante que arremessou um “cocktail molotov” na Marcha pela Vida, em Lisboa. O homem poderá vir a ser expulso do partido.

Márcia Guímaro Rodrigues | 19:51 – 15/04/2026

Mas afinal quem é Nelson Vassalo? 

Segundo o Correio da Manhã, o suspeito chama-se Nelson Vassalo é designer e tem 39 anos. Além de ser militante do PS é militante anarco-libertário.

Revela o matutino que Nelson, que tem uma forte presença nas redes sociais, radicalizou-se nos Estados Unidos da América (EUA), onde viveu. Quando regressou a Portugal, ligou-se a movimentos de extrema esquerda.

Já o Expresso revela, esta quinta-feira, que o autor do cocktail molotov enviado aos participantes da marcha ‘Pró-Vida’ era militante do PS desde 2024 e é coautor de uma aplicação para identificar casas devolutas.

Nelson chegou, inclusive, a dar várias entrevistas sobre a app que gerou polémica junto da Associação Nacional de Proprietários (ANP), que ameaçou avançar para tribunal caso os criadores do projeto – que mapeia os edifícios devolutos em Portugal – não apagassem a app, que a associação considera ser ilegal.

Por sua vez, o jornal Público adianta que Nelson chegou a dar aulas na Faculdade de Belas-Artes” de Lisboa como “professor convidado”.

Sem antecedentes radicais em Portugal

Apesar de se ter, alegadamente, juntado a grupos de extrema esquerda, Nelson Vassalo não tem, segundo o Expresso, antecedentes de violência ou cadastro criminal em Portugal, nem são conhecidos outros atos radicais praticados pelo mesmo.

De acordo com o jornal, nem nas redes sociais o designer costumava partilhar frases ou imagens de índole extremista.

No entanto, durante as buscas à sua casa – que levaram à sua detenção – a PJ descobriu material de propaganda, como livros ou panfletos, considerado os mesmos “denunciadores de um móbil ideológico”.

O ex-docente universitário é também suspeito dos crimes de detenção de arma proibida, incêndio, explosão e outras condutas especialmente perigosas e de ofensas à integridade física grave.

Esta quinta-feira, 16 de abril, vai ficar a conhecer as medidas de coação aplicadas pelo Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa, depois de ter sido presente a primeiro interrogatório judicial ontem.

O caso remonta ao dia 21 de março, quando os participantes da Marcha Pela Vida, uma iniciativa anual contra a interrupção voluntária da gravidez e a eutanásia que passa por diversas cidades, foram atingidos por um ‘cocktail molotov’, junto às escadas da Assembleia da República. Apesar do susto, ninguém ficou ferido.

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