Texto de Filipe Magalhães Ramos, otorrinolaringologista. A sinusite crónica é uma inflamação persistente dos seios peri-nasais que dura pelo menos 12 semanas. Filipe Magalhães Ramos explica as principais causas, desde anomalias anatómicas a disfunções imunológicas, e apresenta possíveis tratamentos.

Olga Yastremska
A sinusite crónica é uma inflamação persistente dos seios peri-nasais, que dura pelo menos 12 semanas, caracterizada sobretudo por uma congestão nasal marcada, com secreções espessas, alguma dor ou pressão facial e, por vezes, acompanhada de diminuição do olfato. É uma condição que afeta milhões de pessoas em todo o mundo.
Destacam-se como principais causas:
– Anomalias anatómicas, entre as quais se destaca o desvio do septo nasal, comprometendo o processo natural de drenagem e ventilação, provocando a estase do muco, que leva ao aumento do risco de infeção, podendo dar origem a um ciclo de obstrução e inflamação. A existência de pólipos contribui também para este processo.
– Infeções, não necessariamente causadas por agentes bacterianos, mas também por vírus e, ocasionalmente, fungos. Estes processos infeciosos são ainda potenciados por exposição a poluentes urbanos.
– Rinite alérgica. Alergénios, como por exemplo, pólenes, ácaros, pelo de animais, bolores, levam a edemas da mucosa e podem ainda potenciar a formação de pólipos. A exposição prolongada a substâncias irritativas, como poluição urbana e fumo de tabaco prejudicam a função ciliar nasal, mecanismo fundamental de autolimpeza e proteção da mucosa.
– Disfunção imunológica. Existindo alguma imunodeficiência, as células do organismo não conseguem combater eficazmente agentes externos. À falta de uma resposta natural do organismo, ou seja, perante o enfraquecimento da imunidade inata, a inflamação e as infeções crónicas são mais frequentes e acontece que, muitas vezes, não respondem a antibióticos. Na verdade, o uso indiscriminado de antibióticos pode ser um fator de agravamento da situação.
Como vemos, a sinusite crónica é uma doença complexa e multifatorial, sendo que os estudos mostram que a componente genética é relevante e está relacionada com processos inflamatórios e resposta imunitária.
SEBASTIAN KAULITZKI/SCIENCE PHOT
Naturalmente, para o tratamento da sinusite crónica é necessária a análise particular de cada caso. Um conselho simples e muito importante é uma boa higiene nasal, ou seja, lavagens nasais frequentes. A terapia pode assentar no uso de corticoides tópicos no nariz, que, quando aplicados de acordo com a prescrição médica, otimizam a terapêutica local com segurança, evitando efeitos sistémicos adversos.
Por vezes, os anti-histamínicos são também úteis, particularmente nos casos em que o paciente tenha rinite alérgica subjacente, ajudando a controlar os sintomas.
Os antibióticos têm ainda o seu papel, nomeadamente nas situações em que estamos perante uma infeção ativa e é necessário debelá-la. Recuperando o que acima foi referido, há que ter em conta que este tipo de terapêutica carece de avaliação e prescrição médica.
Finalmente, temos a cirurgia, que permite, em termos simples, fazer uma limpeza aos seios peri-nasais, removendo tecidos infetados e promovendo uma boa drenagem. Nos casos em que as questões anatómicas se colocam, a correção do septo pode constituir um forte aliado, já que aumenta a ventilação e corrige bloqueios estruturais que impedem a drenagem do muco, melhorando a obstrução nasal e, de um modo geral, a qualidade de vida do paciente.
Artigo da autoria de Filipe Magalhães Ramos, otorrinolaringologista
