Eis o que se sabe sobre o tiroteio, com base nas notícias das agências internacionais AFP e EFE:
“No chão! No chão!”
Foram ouvidos tiros após o discurso de boas-vindas durante o jantar de gala que decorria no hotel Hilton de Washington. Sentado à mesa de honra, num palco elevado, Trump, de 79 anos, permaneceu inicialmente sem reação.
A música de fundo parou na sala, banhada por uma luz azulada e suave que acentuava o ambiente irreal do momento.
Equipas de segurança, de armas em punho, tomaram posição no palco onde Trump estava sentado ao lado da primeira-dama, Melania, do vice-presidente, JD Vance, e de outros convidados, que foram rapidamente retirados.
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Centenas de jornalistas, ministros, diplomatas e personalidades de toda a esfera política de Washington, que no minuto anterior conversavam educadamente em torno de pratos de salada e copos de vinho, abrigaram-se debaixo das mesas ou deitaram-se no chão.
Os convidados em traje de gala dirigiram-se depois para o átrio do hotel antes de saírem para o exterior.
As autoridades indicaram que nenhuma personalidade ou convidado ficou ferido.
Os membros da agência de proteção de altas entidades mantiveram-se durante algum tempo com armas em riste no palco deserto, sob uma grande faixa da “Associação de Correspondentes da Casa Branca”.
Helicóptero e pirilampos
Rapidamente, espalhou-se a notícia de que tinham sido disparados tiros. Durante longos minutos, os convidados, afastados pelas forças da ordem para o rés-do-chão do hotel, permaneceram atónitos, agarrados aos telemóveis à espera de notícias do Presidente.
A incerteza durou até que Trump informou estar são e salvo na sua rede social.
Trump deu inicialmente a entender que a noite, na qual participava pela primeira vez enquanto Presidente, poderia ser retomada.
No entanto, acabou por anunciar que o evento estava definitivamente cancelado, mas que daria uma conferência de imprensa na Casa Branca.
Uma parte dos jornalistas correu então para fora do hotel, o mesmo onde o Presidente Ronald Reagan foi vítima de uma tentativa de assassínio em 1981, em direção à Casa Branca.
Os repórteres abriram caminho entre carros de patrulha com os pirilampos ligados e forças de segurança, enquanto um helicóptero sobrevoava o bairro.
“Faremos outra”
Duas horas após o incidente, Trump apresentou-se, também ele de ‘smoking’, perante uma assembleia de repórteres em vestidos de gala e laços.
Falou de um “potencial assassino” com a intenção de matar e forneceu detalhes: um atacante armado tentou forçar o dispositivo de segurança à entrada da sala e foi detido.
“É uma noite um pouco diferente do que esperávamos, mas faremos outra”, prometeu o multimilionário.
Durante todo o primeiro mandato e em 2025, Trump manteve-se afastado desta gala, concebida como uma celebração da liberdade de imprensa e na qual participaram todos os seus antecessores desde os anos 1920.
Desde que regressou ao poder, Trump não parou de atacar os meios de comunicação social.
Mas, no sábado à noite, pelo menos, o líder republicano declarou uma espécie de trégua.
“Quero também agradecer à imprensa, aos ‘media’, foram muito responsáveis na vossa cobertura”, afirmou a partir do pódio da sala de imprensa da Casa Branca.
Como ocorreu o tiroteio?
Segundo as autoridades, o suspeito forçou um ponto de controlo de segurança no átrio do hotel, junto ao salão onde decorria o jantar, por volta das 20:36 locais (01:36 em Lisboa).
Trump divulgou imagens que parecem mostrar o suspeito a lançar-se contra o ponto de controlo antes de ser manietado pelos polícias.

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“Estava armado com uma espingarda de caça, uma pistola e várias facas”, declarou aos jornalistas o chefe interino da polícia metropolitana, Jeffery Carroll.
As forças da ordem trocaram tiros com o suspeito e “intercetaram o indivíduo”.
Um agente fardado dos serviços secretos foi “atingido no colete” antibala e transportado para o hospital, encontrando-se bem, precisou Carroll.
O suspeito não foi atingido pelas balas, mas foi levado ao hospital para ser examinado.
Encontra-se detido e deverá ser presente a um juiz na segunda-feira num tribunal federal.
Uma espingarda e invólucros foram encontrados no local, disse o diretor do FBI, Kash Patel, acrescentando que o departamento federal de investigação estava a realizar interrogatórios a testemunhas no âmbito das suas investigações.
Quem é o suspeito?
Trump partilhou fotos do alegado atirador, em tronco nu e algemado, com o rosto virado para o chão, no que parece ser o átrio do hotel.
As autoridades ainda não confirmaram publicamente a sua identidade, mas, segundo meios de comunicação norte-americanos, trata-se de um homem de 31 anos, Cole Tomas Allen, natural de Torrance, na Califórnia.
Um fotógrafo da AFP viu agentes do FBI no exterior de uma residência naquela cidade, ao final da noite de sábado.
O perfil de LinkedIn de “Cole Allen”, cuja foto parece coincidir com as imagens divulgadas por Trump, apresenta-o como engenheiro mecânico, informático, programador de videojogos e professor.
Com base em informações preliminares, “acreditamos que era um dos hóspedes do hotel”, disse Carroll aos jornalistas.
O homem detido é considerado o único suspeito neste caso.
Enfrenta atualmente duas acusações: utilização de uma arma de fogo durante um crime violento e agressão a um agente federal com uma arma perigosa, precisou a procuradora federal, Jeanine Pirro.
Outras acusações poderão ser formuladas à medida que a investigação avance.
“A minha impressão é que se tratava de um lobo solitário”, afirmou Trump, acrescentando que a motivação do suspeito ainda não foi estabelecida, mas que considerava que o atirador estava doente.

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Houve falhas de segurança?
Surgiram questões sobre o dispositivo de segurança da receção e sobre como uma arma pôde ser introduzida no hotel.
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Alguns participantes disseram que foi instalado um pórtico de deteção de metais no exterior do salão de baile, mas que não houve controlos deste tipo antes ou na própria entrada do hotel.
Trump declarou inicialmente que não se tratava de “um edifício particularmente seguro”, mas afirmou depois que o atirador não ultrapassou o salão de baile onde decorria o evento, sendo este “muito, muito seguro”.
O ponto de controlo que o suspeito tentou forçar situava-se “mesmo à saída do salão de baile”, precisaram as autoridades.
“Porque [os agentes] desse ponto de controlo fizeram o trabalho, ninguém ficou ferido”, disse Pirro.
“Vamos analisar os vídeos de todo o hotel para compreender como a arma entrou, como chegou até ali”, acrescentou Carroll.
Segundo Trump, os serviços de segurança fizeram “um trabalho muito melhor do que em Butler”, onde foi alvo de uma tentativa de assassínio em 2024, durante um comício de campanha no estado da Pensilvânia.
Netanyahu condena “tentativa de assassínio”
As reações não se fizeram esperar e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, disse ter ficado chocado com a “tentativa de assassínio” de Trump, manifestando-se aliviado por o Presidente e aliado na guerra contra o Irão estar são e salvo.
A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas afirmou que “a violência política não tem lugar numa democracia” e que “um evento destinado a homenagear a liberdade de imprensa nunca deveria tornar-se um cenário de medo”.
O primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou-se “chocado com as cenas no jantar” em Washington e disse que “qualquer ataque contra as instituições democráticas ou contra a liberdade de imprensa deve ser condenado com a maior firmeza”.
A Presidente do México, Claudia Sheinbaum, e os primeiros-ministros da Índia, Narendra Modi, do Japão, Sanae Takaichi, do Canadá, Mark Carney, do Paquistão, Shehbaz Sharif, e de Espanha, Pedro Sanchez, condenaram o incidente e solidarizaram-se com Trump.
