Tucker Carlson, antiga cara da Fox News, admitiu que está arrependido por ter apoiado Donald Trump no passado e pediu desculpas “por ter enganado as pessoas”. A rejeição de Carlson a Trump surge após anos de apoio público ao republicano. Carlson, foi, inclusive, uma das principais vozes a apoiar as alegações sobre fraude eleitoral quando Trump perdeu a presidência para Joe Biden.
À esquerda, Tucker Carlson, e Donald Trump, à direita, durante a ronda final do LIV Golf Invitational no Trump National, em Bedminster, Nova Jérsia, a 31 de julho de 2022
Seth Wenig / AP
“Sabem, isto vai atormentar-nos durante muito tempo – pelo menos a mim”, disse Tucker Carlson, na segunda-feira, numa conversa no seu podcast, The Tucker Carlson Show, com o irmão, Buckley Carlson.
“E quero pedir desculpa por ter induzido as pessoas em erro. Não foi intencional, é tudo o que tenho a dizer”, acrescentou o conservador, citado pelo The Guardian.
De crítico a apoiante, de apoiante a crítico
Esta não é a primeira vez que se sabe que Tucker Carlson muda de opinião sobre Donald Trump. Antes, em 1999, disse que Trump era a “pessoa mais repugnante do planeta”.
Na ‘corrida’ à Sala Oval em 2024, quando o republicano voltou a candidatar-se à presidência, o comentador apoiou-o ao longo de toda campanha eleitoral e, inclusive, discursou num evento de Trump cinco dias antes da noite decisiva.
Em 2016, já tinha lançado os ‘dados’ em Trump, alertando que o republicano deveria ser levado mais a sério.
Donald Trump com Tucker Carlson durante um espetáculo da digressão “Tucker Carlson Live Tour”, na Desert Diamond Arena, a 31 de outubro de 2024, em Glendale, no Arizona
Julia Demaree Nikhinson
No entanto, desde o início da guerra no Médio Oriente, Tucker Carlson tem discordado das posições de Donald Trump. O outrora apoiante classificou como “vil a todos os níveis” a linguagem do líder norte-americano sobre o Irão.
“Tu, eu e todos os outros que o apoiámos — tu escreveste discursos para ele, eu fiz campanha por ele — quer dizer, estamos implicados nisto, sem dúvida”, disse Carlson, assumindo responsabilidade pelo regresso de Trump à Casa Branca.
“De formas muito modestas, mas reais, tu, eu e milhões de pessoas como nós somos a razão pela qual isto está a acontecer neste momento“, disse o antigo apresentador ao irmão.
Apesar de em 2024 estar a bordo da campanha de Trump, um ano antes, durante a fase de instrução do processo judicial movido pela Dominion Voting Systems contra a Fox News, foi relevado que o antigo apresentador tinha, através de mensagens privadas, menosprezado o primeiro mandato de Trump, considerando-o “um desastre”.
Trump já tinha ‘atacado’ Carlson
O desagrado não é sentido só por um lado. No início de abril, Donald Trump dirigiu várias críticas a Tucker Carlson e a outras figuras associadas ao movimento MAGA (“Make America Great Again”, em inglês), entre as quais Megyn Kelly, Candace Owens, Alex Jones.
Numa publicação na rede social Truth Social, Trump disse que Carlson era “uma pessoa com QI baixo – sempre fácil de derrotar e altamente sobrevalorizada.”
“Carlson, que nem sequer conseguiu terminar a faculdade, estava devastado quando foi despedido da Fox e nunca mais foi o mesmo — talvez devesse consultar um bom psiquiatra”, escreveu ainda o Presidente.
