O autor do ataque contra os participantes da Marcha pela Vida, no passado dia 21 de março, nas escadarias da Assembleia da República, foi detido pela segunda vez esta terça-feira, 14 de abril.
O anúncio foi feito pela Polícia Judiciária (PJ) ontem, quarta-feira, 15 de abril, num comunicado enviado às redações. De acordo com os inspetores, o homem, de 39 anos, que atirou um “um engenho incendiário improvisado do tipo ‘cocktail molotov’, contendo gasolina”, está indiciado pela tentativa da “prática dos crimes de infrações terroristas, detenção de arma proibida, incêndio, explosão e outras condutas especialmente perigosas e de ofensas à integridade física grave”.
Com o passar das horas, a identidade do suspeito foi revelada e soube-se que é militante do Partido Socialista (PS), o que levou o partido a instaurar-lhe um processo disciplinar, que poderá levar à sua expulsão. Para já, está suspenso.
Mas afinal quem é Nelson Vassalo?
Segundo o Correio da Manhã, o suspeito chama-se Nelson Vassalo é designer e tem 39 anos. Além de ser militante do PS é militante anarco-libertário.
Revela o matutino que Nelson, que tem uma forte presença nas redes sociais, radicalizou-se nos Estados Unidos da América (EUA), onde viveu. Quando regressou a Portugal, ligou-se a movimentos de extrema esquerda.
Já o Expresso revela, esta quinta-feira, que o autor do cocktail molotov enviado aos participantes da marcha ‘Pró-Vida’ era militante do PS desde 2024 e é coautor de uma aplicação para identificar casas devolutas.
Nelson chegou, inclusive, a dar várias entrevistas sobre a app que gerou polémica junto da Associação Nacional de Proprietários (ANP), que ameaçou avançar para tribunal caso os criadores do projeto – que mapeia os edifícios devolutos em Portugal – não apagassem a app, que a associação considera ser ilegal.
Por sua vez, o jornal Público adianta que Nelson chegou a dar aulas na Faculdade de Belas-Artes” de Lisboa como “professor convidado”.
Sem antecedentes radicais em Portugal
Apesar de se ter, alegadamente, juntado a grupos de extrema esquerda, Nelson Vassalo não tem, segundo o Expresso, antecedentes de violência ou cadastro criminal em Portugal, nem são conhecidos outros atos radicais praticados pelo mesmo.
De acordo com o jornal, nem nas redes sociais o designer costumava partilhar frases ou imagens de índole extremista.
No entanto, durante as buscas à sua casa – que levaram à sua detenção – a PJ descobriu material de propaganda, como livros ou panfletos, considerado os mesmos “denunciadores de um móbil ideológico”.
O ex-docente universitário é também suspeito dos crimes de detenção de arma proibida, incêndio, explosão e outras condutas especialmente perigosas e de ofensas à integridade física grave.
Esta quinta-feira, 16 de abril, vai ficar a conhecer as medidas de coação aplicadas pelo Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa, depois de ter sido presente a primeiro interrogatório judicial ontem.
O caso remonta ao dia 21 de março, quando os participantes da Marcha Pela Vida, uma iniciativa anual contra a interrupção voluntária da gravidez e a eutanásia que passa por diversas cidades, foram atingidos por um ‘cocktail molotov’, junto às escadas da Assembleia da República. Apesar do susto, ninguém ficou ferido.
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