O Presidente Donald Trump vai participar numa maratona de leitura da Bíblia a propósito do 250º. aniversário dos Estados Unidos, promovida por organizações cristãs e por republicanos para incentivar um “regresso ao fundamento espiritual” do país.
Alex Brandon
O evento “A América Lê a Bíblia” – no qual cada participante lê uma passagem em voz alta – está a ser transmitido em direto esta semana a partir do Museu da Bíblia, em Washington, e de outros locais.
Para esta noite (madrugada em Lisboa), está previsto um vídeo de Trump, que num comunicado sobre o evento afirmou que a Bíblia está “indelevelmente entrelaçada na identidade nacional e modo de vida” dos norte-americanos.
O comunicado cita figuras históricas como o líder puritano John Winthrop, que “implorou aos seus companheiros colonos cristãos que se erguessem como um farol de fé para todo o mundo ver”.
Vai ler uma passagem sobre o Rei Salomão
A participação de Trump terá como cenário a Sala Oval, onde lerá uma passagem sobre a dedicação pelo Rei Salomão do templo na antiga Jerusalém, em que Deus promete perdão se uma geração futura se arrepender depois de se rebelar: “Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar e se converter, eu perdoá-lo-ei”.
O versículo é citado frequentemente em comícios cristãos conservadores e eventos políticos, como a Convenção Nacional Republicana de 2024.
Os críticos afirmam que o evento tem uma lista de participantes essencialmente partidária e faz parte de um projeto maior para ligar o próximo 250º aniversário dos Estados Unidos a uma visão nacionalista cristã da fundação do país, algo que muitos historiadores contestam.
Os cristãos brancos, particularmente os evangélicos, têm sido cruciais para a base eleitoral de Trump.
Uma semana depois da foto com IA e das críticas ao Papa
Trump removeu a imagem das suas redes sociais, insistindo que estava retratado como um médico, e não como Jesus.
Entre os participantes na maratona bíblica estão membros do governo, como o secretário da Defesa Pete Hegseth e o secretário de Estado Marco Rubio, bem como o presidente da Câmara dos Representantes Mike Johnson e vários outros membros republicanos do Congresso.
Entre os apoiantes evangélicos destacados de Trump que participam estão o evangelista Franklin Graham, o pastor Jack Graham e a pastora Paula White-Cain, que dirige o Gabinete de Fé da Casa Branca.
Cada orador está a participar na leitura contínua dos 66 livros da Bíblia, tal como reconhecidos pelos protestantes.
Os judeus reconhecem a parte hebraica da Bíblia a que os cristãos chamam Antigo Testamento, mas não os livros do Novo Testamento centrados em Jesus. Os católicos e os ortodoxos reconhecem livros adicionais da Bíblia que não estão incluídos nesta leitura.
O evento contará com a presença de representantes católicos, incluindo o presidente da CatholicVote, organização que apoiou Trump em 2024.
O evento consiste numa leitura abrangente de toda a Bíblia, desde os famosos versículos (“Deixa partir o meu povo”, “O Senhor é o meu pastor”) até aos mais obscuros.
As passagens vão desde a criação do mundo até às batalhas sangrentas e à destruição apocalíptica, desde exortações ao amor a Deus, ao próximo e aos necessitados, até passagens que narram a vida, a morte e a ressurreição de Jesus.
O evento é organizado pela Christians Engaged, uma organização sem fins lucrativos cuja missão declarada inclui “discipular os americanos sobre a cosmovisão bíblica e as suas responsabilidades de orar, votar e envolver-se”.
A maratona de leitura da Bíblia acontece poucas semanas antes de um evento, a 17 de maio, chamado “Jubileu Nacional de Oração, Louvor e Ação de Graças”, que será realizado no National Mall, em Washington, DC.
