Portugal

Albuquerque diz que autonomias são "grande negócio" para o Estado


“O Estado está a assumir as regiões autónomas como um grande negócio e ainda estamos a pagar a mobilidade e custos da soberania”, disse o também presidente do Governo Regional da Madeira no encerramento do XX Congresso Regional que serviu para confirmar a sua liderança, depois de ter sido eleito numas eleições internas sem adversário, há um mês, com 2.063 votos num universo de 2.098 votantes, segundo informação da estrutura regional do partido.

Dirigindo-se aos representantes nacionais ausentes do partido, desejou que “o bom senso impere”, alertando que “a decorrência não funciona”, porque os sociais-democratas madeirenses “não caminham de joelhos, mas sempre de cabeça erguida”.

“Nós só fazemos parte do PSD nacional porque queremos ainda”, acrescentou, alertando: “Se pensam que vamos ficar sem voz, nós passamos a independentes na Assembleia da República”.

Miguel Albuquerque também argumentou que é presidente do Congresso e do Conselho Nacional, “porque os militantes do PSD nacional quiseram” e apontou que, na próxima reunião magna do partido, “não quer ser eleito para nenhum cargo se os interesses da Madeira não forem salvaguardados”.

O líder madeirense opinou que as duas regiões autónomas estão a travar “uma luta contra a falta de visão estratégica, contra os pequenos cérebros”, além dos “anacronismos e forma como Estado português continua a olhar” para as autonomias, que têm sido “discriminadas, vilipendiadas pelo Estado que não assume as suas responsabilidades nas ilhas”.

“Somos um partido de gente livre e frontal (…). Estamos aqui para continuar o percurso de conquista (…), [para] o PSD/Madeira continuar a reformar e renovar; somos partido de três gerações”, apontou.

Albuquerque falou das dificuldades do atual contexto da União Europeia e criticou o que classificou como problemas do “lero-lero e a mesmice” a nível nacional, porque “o Estado está a governar para manter o conservadorismo dos instalados” e cobra impostos para “prestar serviços miseráveis à população”.

“Ninguém faz reformas em Portugal, porque têm medo das minorias que mandam em Portugal”, sustentou, censurando o recurso às denúncias anónimas e “com factos falsos” contra os políticos que originam investigações pelo Ministério Público, o que “torna a atividade politica quase impossível”.

Para o líder insular, não é possível “continuar neste quadro surreal de burocracias, de labirintos que estagnam” o país, onde um “conjunto de minorias amedrontam o poder politico”.

Albuquerque insistiu na importância de rever a “lei mais vergonhosa e iníqua” que existe, a Lei das Finanças Regionais, na revisão da Constituição, apontando que o PSD vai desencadear o processo para serem definidas as posições dos diferentes partidos em diversas matérias.

Ainda destacou que a construção de habitação é uma das prioridades, um setor onde o Governo Regional continuará a “investir maciçamente”, além do crescimento económico e de diversas obras viárias que estão em perspetiva.

Os congressistas reelegeram João Cunha e Silva como presidente da Mesa do Congresso, Rui Abreu para o Conselho de Jurisdição e escolheram Guilherme Silva para presidir ao Conselho Regional.

Este congresso fica também marcado pelo regresso à vida política e ao partido do antigo presidente da Câmara do Funchal Pedro Calado, que foi detido no âmbito de uma investigação relacionada com suspeitas de crimes de corrupção, que disse estar parado.

“O presidente entendeu por bem que eu devia voltar”, afirmou, salientando que, depois de dois anos “difíceis”, durante os quais esteve “calado”, sentiu que “era a altura para falar” e que não veio “à procura de nenhum lugar ou cargo”.

“Depois deste tempo todo, estou perfeitamente tranquilo e tenho capacidade e consciência livre para continuar a lutar pela Madeira e o partido”, acrescentou.

Nesta sessão estiveram presente o antigo líder do PSD/Madeira, Alberto João Jardim, e representantes de vários partidos.

Os sociais-democratas aprovaram hoje, por unanimidade, uma alteração aos estatutos que elimina o prazo de 12 anos para o líder do partido exercer o cargo, o que permite ao líder insular continuar também a presidir ao Governo da Madeira.

Lusa | 15:02 – 18/04/2026



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