As autoridades do distrito de Chókwe, na província moçambicana de Gaza, precisam de mais 23 mil toneladas de sementes para a época agrícola, após 45 mil hectares de culturas devastados pelas últimas cheias, foi hoje anunciado.
“Temos 85 toneladas de milhos, é a semente que neste momento estamos a fazer a distribuição, e temos outras quantidades de semente que recebemos, que vão beneficiar 1.200 produtores (…). Neste momento temos o défice de 23 mil toneladas de sementes”, disse o administrador do distrito de Chókwe, Narciso Nhamuoco, citado hoje pela comunicação social.
O responsável falava à margem da visita da governadora da província de Gaza, no sul do país, a mais afetada pelas cheias, tendo avançado que cerca de 45 mil hectares foram “devastados e arrasados completamente” durante as duas vagas de chuvas intensas registadas em Moçambique.
Segundo o administrador, um total de 43 mil agricultores precisa das sementes para aproveitar a época agrícola, após perder as suas culturas durante as inundações registadas na província na atual época chuvosa, que está previsto terminar em abril.
“Uma parte da semente que nós havíamos recebido, no âmbito da ideia do aproveitamento da humidade, já havíamos feito o lançamento, mas tivemos o azar da chegada da segunda onda [de cheias] que voltou a inundar os campos”, disse o administrador do distrito de Chókwe.
O número de mortos na atual época das chuvas em Moçambique ascende a 311, com 1,07 milhões de pessoas afetadas, desde outubro, 24.229 casas parcialmente destruídas, 11.996 totalmente destruídas e 209.219 inundadas, com um total de 304 unidades de saúde afetadas em menos de seis meses, segundo a última atualização do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
Só as cheias de janeiro provocaram, pelo menos, 43 mortos, 147 feridos e nove desaparecidos, afetando globalmente 715.803 pessoas, com algumas zonas do sul a registarem nos últimos dias uma nova vaga de inundações.
Os dados do INGD indicam ainda que 320.426 hectares de áreas agrícolas foram perdidos, afetando 373.241 agricultores, e 531.657 animais morreram, entre bovinos, caprinos e aves.
Moçambique é considerado um dos países mais severamente afetados pelas alterações climáticas no mundo, enfrentando ciclicamente cheias e ciclones tropicais durante a época chuvosa, que decorre entre outubro e abril.
