O Ministério dos Negócios Estrangeiros anunciou, na noite desta terça-feira, que foi libertado mais um luso-venezuelano. Este, precisaram, estava detido há quatro anos, desde 2022.
“Portugal saúda a libertação do luso-venezuelano Héctor Ferreira Domingues, detido desde setembro de 2022”, começou por dizer o ministério.
Na mesma nota, expressou ainda a sua “profunda solidariedade à família neste reencontro tão aguardado”.
“O Governo português continuará a trabalhar, discreta mas activamente, pela libertação dos presos políticos que ainda estão detidos na Venezuela”, concluiu.
Portugal saúda a libertação do luso-venezuelano Héctor Ferreira Domingues, detido desde setembro de 2022. Expressa profunda solidariedade à família neste reencontro tão aguardado.
O Governo português continuará a trabalhar, discreta mas activamente, pela libertação dos presos…
— Negócios Estrangeiros PT (@nestrangeiro_pt) April 21, 2026
Em fevereiro, a organização não governamental Foro Penal (FP), que lidera a defesa jurídica dos presos políticos na Venezuela, divulgou um alerta na Internet que pedia libertação de Héctor Mário Ferreira Domingues, um empresário luso-venezuelano, detido “durante uma rusga à fábrica de uniformes que dirigia em Caracas”.
Citando as autoridades venezuelanas, a FP explicou que a detenção se baseou na declaração de um “patriota cooperante anónimo”, que afirmou que a empresa teria realizado supostas negociações com a empresa Monómeros Colombo Venezolanos S.A. (filial da estatal venezuelana Pequiven na Colômbia) para a venda de materiais que supostamente se destinariam à Assembleia Nacional.
A FP denunciou também que “no dia seguinte à sua detenção e à rusga, as forças de segurança tomaram a empresa e continuaram a trabalhar lá, o que, segundo a família e a sua defesa, sugere que a intenção por detrás da operação era tomar posse da empresa”.
Fontes da comunidade lusa local disseram na altura à Agência Lusa que o que aconteceu com o empresário foi reportado às autoridades portuguesas, pouco depois de Ferreira Domingues ter sido detido.
𝗛é𝗰𝘁𝗼𝗿 𝗠𝗮𝗿𝗶𝗼 𝗙𝗲𝗿𝗿𝗲𝗶𝗿𝗮 𝗗𝗼𝗺𝗶𝗻𝗴𝘂𝗲𝘀, empresario venezolano y portugués, fue detenido el 9 de septiembre de 2022 durante un allanamiento a la fábrica de uniformes que dirigía en Caracas.
Según las autoridades, su detención se basó en la declaración de un… pic.twitter.com/T26hROJG2a
— Foro Penal (@ForoPenal) February 12, 2026
Desde janeiro, foram libertados quatro luso-venezuelanos
Os descendentes portugueses na Venezuela têm vindo a ser libertados desde o dia 25 de janeiro, após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, onde se encontra numa prisão federal a aguardar julgamento.
A primeira a ser libertada foi Carla da Silva, de 42 anos. Foi encarcerada aos 36 anos, condenada por “conspiração e associação para cometer crimes”, alegadamente para derrubar o governo venezuelano, em 2020.
Uma semana depois, a 1 de fevereiro, era libertado o médico Pedro Fernández, detido desde outubro de 2025, que tinha raízes madeirenses.
De seguida, a 4 de fevereiro, foi a vez de Jaime Reis, mais conhecido como o “preso fantasma”.
Segundo dados da organização não-governamental Justiça, Encontro e Perdão (JEP), na Venezuela estão detidas por motivos políticos 674 pessoas.
Dos detidos 583 são homens e 91 são mulheres, incluindo 28 estrangeiros e 30 venezuelanos com dupla nacionalidade.
A FP documentou, desde 2014, a detenção de 19.079 pessoas por motivos políticos na Venezuela, das quais mais de 11.000 continuam arbitrariamente sujeitas a medidas restritivas da liberdade.
[Notícia atualizada às 23h58]
