Portugal

Luso-venezuelano libertado ao fim de 4 anos: "Profunda solidariedade"


O Ministério dos Negócios Estrangeiros anunciou, na noite desta terça-feira, que foi libertado mais um luso-venezuelano. Este, precisaram, estava detido há quatro anos, desde 2022.

“Portugal saúda a libertação do luso-venezuelano Héctor Ferreira Domingues, detido desde setembro de 2022”, começou por dizer o ministério.

Na mesma nota, expressou ainda a sua “profunda solidariedade à família neste reencontro tão aguardado”.

“O Governo português continuará a trabalhar, discreta mas activamente, pela libertação dos presos políticos que ainda estão detidos na Venezuela”, concluiu.

Em fevereiro, a organização não governamental Foro Penal (FP), que lidera a defesa jurídica dos presos políticos na Venezuela, divulgou um alerta na Internet que pedia libertação de Héctor Mário Ferreira Domingues, um empresário luso-venezuelano, detido “durante uma rusga à fábrica de uniformes que dirigia em Caracas”.

Citando as autoridades venezuelanas, a FP explicou que a detenção se baseou na declaração de um “patriota cooperante anónimo”, que afirmou que a empresa teria realizado supostas negociações com a empresa Monómeros Colombo Venezolanos S.A. (filial da estatal venezuelana Pequiven na Colômbia) para a venda de materiais que supostamente se destinariam à Assembleia Nacional.

A FP denunciou também que “no dia seguinte à sua detenção e à rusga, as forças de segurança tomaram a empresa e continuaram a trabalhar lá, o que, segundo a família e a sua defesa, sugere que a intenção por detrás da operação era tomar posse da empresa”.

Fontes da comunidade lusa local disseram na altura à Agência Lusa que o que aconteceu com o empresário foi reportado às autoridades portuguesas, pouco depois de Ferreira Domingues ter sido detido.

Desde janeiro, foram libertados quatro luso-venezuelanos

Os descendentes portugueses na Venezuela têm vindo a ser libertados desde o dia 25 de janeiro, após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, onde se encontra numa prisão federal a aguardar julgamento.

A primeira a ser libertada foi Carla da Silva, de 42 anos. Foi encarcerada aos 36 anos, condenada por “conspiração e associação para cometer crimes”, alegadamente para derrubar o governo venezuelano, em 2020.

Uma semana depois, a 1  de fevereiro, era libertado o médico Pedro Fernández, detido desde outubro de 2025, que tinha raízes madeirenses.

De seguida, a 4 de fevereiro, foi a vez de Jaime Reis, mais conhecido como o “preso fantasma”.

Segundo dados da organização não-governamental Justiça, Encontro e Perdão (JEP), na Venezuela estão detidas por motivos políticos 674 pessoas.

Dos detidos 583 são homens e 91 são mulheres, incluindo 28 estrangeiros e 30 venezuelanos com dupla nacionalidade.

A FP documentou, desde 2014, a detenção de 19.079 pessoas por motivos políticos na Venezuela, das quais mais de 11.000 continuam arbitrariamente sujeitas a medidas restritivas da liberdade.

[Notícia atualizada às 23h58]

O Ministério dos Negócios estrangeiros anunciou esta quarta-feira que foi libertado o luso-venezuelano Jaime Orlando dos Reis Macedo. O homem foi detido em julho de 2025 por “ser familiar de uma defensora incansável dos direitos humanos”.

Carolina Pereira Soares | 21:50 – 04/02/2026





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