Marcelo Rebelo de Sousa considera “estranho” que excertos de José Saramago possam deixar de ser de leitura obrigatória nas escolas. O antigo Presidente da República reagia assim à proposta do Ministério da Educação que admite retirar a obrigatoriedade de obras do único Nobel português da Literatura no ensino secundário.
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As declarações surgem numa altura em que está em consulta pública a revisão das Aprendizagens Essenciais de Português. O documento prevê que, no 12.º ano, as escolas deixem de ser obrigadas a escolher uma obra de Saramago – como “Memorial do Convento” ou “O Ano da Morte de Ricardo Reis” – podendo optar por outros autores.
Apesar de já ter deixado o Palácio de Belém, Marcelo continua a apostar na proximidade com os mais jovens. Esta segunda-feira à tarde, esteve na Escola Secundária José Saramago, onde participou numa sessão dedicada à leitura.
“É um bocadinho estranho que um país que tem apenas um Prémio Nobel da Literatura ache que desse Prémio não haja pelos menos alguns fragmentos que devam ser conhecidos por todos”, afirmou o antigo Presidente da República.
Numa escola que carrega o nome do escritor distinguido com o Prémio Nobel da Literatura, o antigo chefe de Estado defendeu a importância de manter o contacto dos alunos com a obra de Saramago, sublinhando o seu valor literário e cultural.
A proposta do Governo pretende aumentar a diversidade de autores estudados e dar maior flexibilidade às escolas. Entre as mudanças previstas está também a introdução obrigatória de Camilo Castelo Branco no 12.º ano, além da possibilidade de escolha de obras de outros escritores contemporâneos.
A eventual retirada de Saramago da lista obrigatória tem gerado debate no meio académico e cultural. O documento estará em consulta pública até 28 de abril e ainda poderá sofrer alterações antes de entrar em vigor no próximo ano letivo.
