Um novo estudo projeta ainda uma forte subida de casos e mortes até 2050, sobretudo nos países com menos recursos para diagnóstico e tratamento.
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Mais de um quarto dos anos de vida saudável perdidos por causa do cancro da mama está associado a fatores de risco potencialmente modificáveis, como o consumo elevado de carne vermelha, o tabaco, a glicemia elevada, o excesso de peso, o álcool e a falta de atividade física. A conclusão surge num dos mais amplos retratos globais alguma vez feitos à doença, publicado na Lancet Oncology, com dados de 204 países e territórios entre 1990 e 2023.
Em 2023, o estudo estima 2,30 milhões de novos casos, 764 mil mortes e 24,1 milhões de DALYs – anos de vida ajustados por incapacidade, uma medida que combina anos perdidos por morte prematura com anos vividos com doença. Desse total, 28,3% da carga global foi atribuída a fatores de risco evitáveis. O maior contributo veio do consumo elevado de carne vermelha, ligado a cerca de 11% dos anos de vida saudável perdidos, seguido do tabaco, incluindo fumo passivo, com 8%.
O retrato global revela, porém, um contraste cada vez mais marcado entre países ricos e países de baixo rendimento. Enquanto a incidência padronizada por idade se manteve praticamente estável nas economias de rendimento elevado desde 1990, nos países de baixo rendimento aumentou 147,2%. Ao mesmo tempo, a taxa de mortalidade padronizada desceu 29,9% nos países mais ricos, mas subiu 99,3% nos de baixo rendimento.
“O cancro da mama continua a ter um impacto profundo na vida das mulheres e das comunidades”, alerta a autora principal, Kayleigh Bhangdia, citada pelo The Guardian. A investigadora do Institute for Health Metrics and Evaluation da Universidade de Washington avisa ainda que à medida que os países de elevado rendimento beneficiam mais de rastreio, diagnóstico atempado e tratamento, o peso da doença “está a deslocar-se para países de baixo rendimento e de rendimento médio-baixo”, onde os diagnósticos chegam mais tarde e o acesso a cuidados de qualidade é mais limitado.
A investigação mostra ainda que, em 2023, foram diagnosticados globalmente três vezes mais novos casos em mulheres com 55 ou mais anos do que no grupo dos 20 aos 54. Ainda assim, é entre as mulheres mais novas que a subida mais chama a atenção, já que desde 1990, a taxa de novos casos entre os 20 e os 54 anos aumentou 29%, enquanto nas mais velhas pouco se alterou.
Se nada mudar, o número anual de novos casos deverá subir para 3,56 milhões e as mortes para 1,37 milhões no horizonte até 2050. Segundo os autores, “sem intervenções eficazes, muitos países ficarão aquém” da meta da Organização Mundial de Saúde para reduzir a mortalidade.
