Numa nota de solidariedade a que a Lusa teve acesso, o grupo parlamentar reconheceu os “desafios que afetam o quotidiano” do povo cubano e sublinhou esperar que “possam ser encontradas soluções que permitam melhorar as condições de vida da população e superar esta difícil situação”.
Desde janeiro, a administração norte-americana liderada pelo Presidente, Donald Trump, tem aplicado uma política de pressão máxima contra a ilha, exigindo mudanças políticas e económicas.
Além do embargo em vigor desde 1962, a ilha está sujeita a restrições drásticas à importação de petróleo.
Os deputados que integram este grupo parlamentar disseram estar a “acompanhar com preocupação” as “dificuldades que o povo cubano enfrenta no atual contexto, marcado por constrangimentos significativos no plano económico e energético”.
O presidente desta comissão parlamentar, Tiago Barbosa Ribeiro, referiu que aquando de uma reunião, no dia 08 deste mês, entre os parlamentares e o embaixador cubano em Lisboa, José Ramón Saborido Loidi, foram abordados diferentes temas, sobretudo estes “constrangimentos significativos no plano económico e energético”.
“Sabemos que esta situação decorre de um bloqueio naval, energético e económico imposto pelos Estados Unidos da América, um bloqueio muito violento no contexto da atual administração norte-americana”, disse o deputado do Partido Socialista à Lusa, acrescentando que a diplomacia portuguesa e vários países do mundo rejeitam este bloqueio.
“Essa é a posição também do Estado português: rejeita o bloqueio a Cuba e tem vindo a votar pelo fim do bloqueio em sede de Nações Unidas para que esse bloqueio tenha um fim”, continuou, acrescentando que essa tem sido a posição “independentemente dos governos” e que é a mesma dos deputados dos partidos que compõem o grupo parlamentar Amizade Portugal-Cuba.
Tiago Barbosa Ribeiro qualificou ainda o bloqueio norte-americano como ilegítimo, salientando que “viola o direito internacional” e defendendo que deve “ter um fim o mais rapidamente possível”.
Questionado sobre as pressões norte-americanas para a demissão do Presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, o deputado socialista referiu que esse tema não foi abordado na reunião com o embaixador, mas que todas as imposições e decisões que contrariem o direito internacional são “contrárias àquela que é a visão que preside um entendimento pacífico e de cooperação institucional entre os países e entre os povos”.
“Nenhuma mudança, nenhuma imposição de um bloqueio económico, energético, naval, ou um povo inteiro é uma via legítima para obter dividendos políticos, seja por parte de quem for, essa é a posição da esmagadora maioria dos países do mundo, essa é a posição da Assembleia Geral das Nações Unidas e essa é também a minha posição”, continuou.
Numa nota divulgada pela embaixada cubana em Lisboa em 08 deste mês, a representação diplomática de Havana afirmou que o encontro com o grupo parlamentar português “concluiu com uma firme mensagem sobre a importância da cooperação multilateral”.
“Os participantes coincidiram em que resulta fundamental o reforço dos vínculos de entendimento entre ambos os países, sempre tendo por base o respeito mútuo e a defesa do direito internacional como alicerces para um relacionamento bilateral sólido e construtivo”, acrescentou o comunicado.
O bloqueio petrolífero que os Estados Unidos impuseram à ilha desde janeiro paralisou quase por completo a atividade económica, especialmente a estatal, e os serviços públicos, incluindo hospitais.
Washington está a pressionar a ilha para que inicie uma série de reformas económicas e políticas, e ambas as partes reconheceram a existência de contactos bilaterais, mas até ao momento não se registaram avanços nem resultados concretos.
Trump indicou na semana passada que possivelmente se ocuparia de Cuba assim que a guerra com o Irão terminasse.
Leia Também: Governo de Havana anuncia reunião na ilha com representantes dos EUA
