A secretária do Trabalho norte-americana vai abandonar o governo de Donald Trump, anunciou esta segunda-feira a Casa Branca, quando decorrem investigações internas ao gabinete de Lori Chavez-DeRemer por alegações de abuso de poder.
Alex Brandon
Lori Chavez-DeRemer torna-se assim a terceira mulher a abandonar o executivo de Trump em poucas semanas, após as saídas forçadas da secretária da Segurança Interna, Kristi Noem, e da procuradora-geral, Pam Bondi.
Ao contrário de outras recentes saídas do gabinete, a demissão de Chavez-DeRemer foi anunciada por um conselheiro da Casa Branca, e não pelo Presidente nas redes sociais.
A secretária do Trabalho “vai deixar o governo para assumir um cargo no setor privado” e Keith Sonderling, atual secretário adjunto do Trabalho, assumirá a pasta interinamente, disse o porta-voz da Casa Branca, Steven Cheung.
“Ela fez um trabalho fenomenal nas suas funções, protegendo os trabalhadores americanos, implementando práticas laborais justas e ajudando os americanos a adquirir competências adicionais para melhorar as suas vidas”, adiantou em comunicado.
O New York Times noticiou na semana passada que o inspetor-geral do Departamento do Trabalho estava a analisar informações que indicavam que Chavez-DeRamer, os seus principais assessores e familiares enviavam rotineiramente mensagens e pedidos pessoais a funcionárias jovens.
O marido e o pai de Chavez-DeRamer trocaram mensagens de texto com funcionárias jovens, algumas das quais foram instruídas pela secretária e pelo seu antigo chefe de gabinete adjunto para “prestarem atenção” à sua família, disseram ao Times pessoas familiarizadas com a investigação.
Estas mensagens foram descobertas no âmbito de uma investigação mais ampla sobre a liderança de Chavez-DeRamer, iniciada após o New York Post ter noticiado, em janeiro, que uma queixa apresentada ao inspetor-geral do Departamento do Trabalho acusava Chavez-DeRamer de ter uma relação extraconjugal com um elemento da sua equipa de segurança.
De Chavez-DeRamer enfrentou ainda acusações de que consumia álcool no trabalho e de que incumbiu os assessores de planearem viagens oficiais sobretudo por motivos pessoais.
Tanto a Casa Branca como o Departamento do Trabalho afirmaram inicialmente que as denúncias de irregularidades eram infundadas, mas as alegações continuaram a acumular-se.
Pelo menos quatro funcionários do Departamento foram afastados dos seus cargos à medida que a investigação avançou, incluindo o ex-chefe de gabinete e o ex-chefe de gabinete adjunto de Chavez-DeRemer, bem como o membro da sua equipa de segurança com quem foi acusada de ter um caso, segundo o New York Times.
Chavez-DeRemer é uma ex-congressista republicana que, no seu único mandato no Capitólio, apoiou legislação favorável a sindicalização a nível federal, bem como um projeto de lei separado para proteger os benefícios da Segurança Social para os funcionários do sector público.
Alguns sindicatos destacados, incluindo o dos camionistas (IBT) apoiaram Chavez-DeRemer, filha de um membro do sindicato, para o cargo de secretária do Trabalho.
A decisão de Trump de a escolher foi vista por alguns analistas políticos como uma forma de atrair eleitores que são membros ou afiliados em organizações sindicais.
Chavez-DeRemer foi uma das escolhas mais discretas de Trump para o governo, mas tomou medidas importantes para promover a agenda republicana de desregulação durante o seu mandato.
No ano passado, o Departamento do Trabalho reformulou ou revogou mais de 60 regulamentos laborais considerados obsoletos, medida foi duramente criticada por dirigentes sindicais e especialistas em segurança no trabalho.
Também no mandato de Chavez-DeRemer, a administração Trump reteve milhões de dólares em fundos internacionais geridos por uma divisão do Departamento do Trabalho para combater a exploração laboral infantil.
