Portugal

Protesto em Albufeira junta população contra dessalinizadora

Promovidas pelas associações dos Armadores e Pescadores de Quarteira (Quarpesca) e de pesca desportiva de Albufeira (Baleeira), as ações juntaram pescadores, famílias, membros da comunidade local e o presidente da Câmara de Albufeira.

O protesto pretendeu chamar a atenção para a importância da preservação ambiental e do uso sustentável dos recursos marinhos, num contexto de crescente pressão sobre as zonas costeiras.

Em declarações à Lusa, Adriano Sabino, presidente da Associação Baleeira, promotora do protesto cívico, disse que a ação “visou dar voz às pessoas que não participaram na consulta pública ou que não tiveram conhecimento da mesma”.

O responsável criticou a “falta de divulgação sobre o processo de consulta”, argumentando que a população “só conheceu o projeto a fundo quando já havia uma decisão” governamental, sublinhando que o Governo “devia a notificar os cidadãos sobre os períodos da participação pública”.

Adriano Sabino considera que o processo para a instalação da dessalinizadora perto daquela praia em Albufeira, “requer mais estudos”, considerando que as obras “só deveriam avançar após o término do período de participação pública sobre os tubos de extração e de retorno em curso”, mostrando-se disponível para integrar o grupo de acompanhamento anunciado pelo Governo, caso este assim o entenda.

Já na marcha por mar, participaram 18 pequenas embarcações de pesca, que efetuaram um percurso junto à costa ao longo da praia da Rocha Baixinha.

O presidente da Câmara de Albufeira, Rui Cristina, que tem contestado o processo de instalação da dessalinizadora, juntou-se ao protesto promovido pelos pescadores por considerar que “o projeto deve ser revisto, porque contém erros”.

Rui Cristina disse à Lusa que, “sendo a dessalinizadora um recurso de fim de linha, porque só será utilizada quando forem esgotadas todas as alternativas para abastecimento público de água à região, deve-se analisar bem o projeto e ver todos impactos que possam resultar no meio marinho e nas praias, para não prejudicar o turismo e a vida marinha”.

“Como é possível que o Estudo de Impacto Ambiental não tenha integrado devidamente os molhes da Marina de Vilamoura e da praia de Quarteira, ou como é possível avançar sem avaliar com rigor os efeitos da salmoura numa costa com ventos predominantes de poente para nascente. Há uma grande probabilidade de a salmoura vir para a praia, prejudicando bandeiras azuis, ecossistemas e o turismo, o principal motor da economia do Algarve”, advogou.

Ao criticar a ausência de alternativas como “um transvase do Pomarão, a construção da barragem da Foupana, bacias de retenção ou o combate às perdas na rede”, o autarca considera que “há agora tempo para reavaliar a declaração de impacto ambiental da dessalinizadora, porque o Algarve tem agora reservas de água para mais dois a três anos”.

“Acedi ao projeto e essas advertências da declaração de impacto ambiental não estão lá vertidas, ou seja, fizeram-se ouvidos moucos. Para quê tanta pressa, para quê tanta sede de ir ao pote, se há aqui vários erros que depois se irão pagar com grande impacto”, alertou.

Rui Cristina defendeu a necessidade de ser realizado um estudo de impacto ambiental “mais completo, que tenha todas as condicionantes e que se olhe realmente para o emissário, para a sua profundidade”, garantindo que irá acionar “os meios legais para travar a dessalinizadora tal como está e salvaguardar o ambiente e o turismo”.

A ministra do Ambiente e da Energia, Maria da Graça Carvalho, anunciou na sexta-feira que as obras de construção da dessalinizadora vão ter início na próxima semana, um investimento de 108 milhões de euros, financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

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