O Presidente da República, António José Seguro, esteve, na sexta-feira à noite, num jantar comemorativo do 52.° aniversário da revolução, promovido pela Associação 25 de Abril, na Estufa Fria, em Lisboa. O ex-chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa, também marcou presença.
“No início do jantar, antes da intervenção do Presidente da República, o Presidente da Direção da Associação 25 de Abril, Coronel Vasco Lourenço, usou da palavra”, pode ler-se numa nota publicada no dia 24 de abril no site da Presidência da República, acompanhada de fotos da cerimónia – que pode ver na galeria acima.
Na sua intervenção, Vasco Lourenço assinalou os 52 anos da liberdade e democracia com “um grito” de apelo ao “silêncio às armas, fim às guerras”, contra os “falcões ou vampiros que insistem em promover a guerra”.
“Comemoramos os 52 anos da libertação e da conquista da paz em Portugal com o lançamento de um grito que confiamos possa ser ouvido pelos nossos dirigentes, mas que também possa extravasar as nossas fronteiras e possa ser escutado pelos dirigentes de todo o mundo. O nosso grito e o nosso sonho são bem afirmativos: silêncio às armas, fim às guerras“, declarou.
Na véspera do 52.º aniversário do 25 de Abril, Vasco Lourenço criticou os “falcões ou vampiros que insistem em promover a guerra para imporem os seus interesses, sob o falso lema da paz pela força”, sem nomear ninguém em concreto, e transmitiu a mensagem de que “as guerras nunca são solução para as conflitualidades, que quase sempre servem interesses obscuros”.
“O mundo está perturbado porque há loucos que estão a tomar conta de alguns países com a demagogia e a mentira a aproveitarem-se da fraca memória dos povos. O direito internacional é cada vez mais uma falácia onde impera a lei do mais forte. O medo começa a reinstalar-se”, referiu ainda.
A democracia fragiliza-se quando se normaliza a indiferença, quando se tolera a mentira, quando se desvaloriza a participação
Seguiu-se a intervenção de António José Seguro, na qual o Presidente da República assinalou que “Portugal não precisa apenas de celebrar Abril”, mas de “cumprir Abril, na justiça social, na dignidade do trabalho, no combate às desigualdades e na defesa da verdade”.
“A democracia fragiliza-se quando se normaliza a indiferença, quando se tolera a mentira, quando se desvaloriza a participação”, considerou António José Seguro, no início do jantar.
Na sua intervenção, de cravo vermelho na lapela, o Presidente da República alertou que “a liberdade não termina no dia em que se conquista” e defendeu que “honrar Abril é escolher todos os dias estar à altura do país dos nossos sonhos e que ainda está por cumprir”.
Por outro lado, a propósito do atual contexto geopolítico, António José Seguro apontou o 25 de Abril de 1974, o fim da guerra colonial e a experiência portuguesa de construção da democracia como “um recurso” e “um exemplo” em termos internacionais, “uma voz que o mundo precisa de ouvir, especialmente nestes momentos de escuridão”.
Perante os militares de Abril presentes na sala, o chefe de Estado declarou: “Quando olho para os meus filhos e penso no Estreito de Ormuz, em Gaza, na Ucrânia, não sinto fatalismo, sinto responsabilidade. A mesma responsabilidade que estes homens e mulheres sentiram há 52 anos numa madrugada de Abril, e que os fez escolher o cravo em vez da espingarda“.
“Nós, que recebemos esse presente, temos de o passar em frente, não só aos nossos filhos, mas ao mundo. A paz não é uma herança que se guarda, é uma tarefa que se renova. O 25 de Abril ensinou-nos que o impossível pode acontecer quando um povo decide não se resignar“, acrescentou.
Neste jantar, como referido, esteve também presente o anterior Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que entrou com António José Seguro na Estufa Fria e ficou sentado à mesma mesa do chefe de Estado, os dois separados pelo presidente da Associação 25 de Abril, Vasco Lourenço. À chegada, nenhum deles prestou declarações à comunicação social, que saiu após as intervenções iniciais.
Veja as imagens na galeria acima.
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