A meningite é uma inflamação das membranas que protegem o cérebro, mais comum em bebés e idosos. Febre súbita, rigidez da nuca e confusão mental são sinais de alerta. Por ocasião do Dia Mundial de Combate à Meningite, assinalado a 24 de abril, o médico infecciologista André Silva Pinto explica os sintomas da meningite e alerta para a importância da vacinação.
Alena Butusava
O que é a meningite?
A meningite é uma inflamação das membranas que protegem o cérebro e a espinal medula e do espaço que existe entre elas. Uma inflamação destas membranas pode ter consequências graves, pois pode alterar a função do próprio sistema nervoso.
Pode ser causada por diferentes agentes, como vírus ou bactérias, e, em alguns casos, caracteriza-se por rápida evolução: os sintomas podem evoluir para uma forma grave em apenas algumas horas ou poucos dias.
Quem é mais afetado e porquê?
Embora possa atingir qualquer pessoa, a meningite é mais comum em bebés e crianças pequenas. Isto acontece porque o seu sistema imunitário ainda é imaturo e está em desenvolvimento, deixando-as mais vulneráveis às bactérias e vírus. Os idosos e os imunodeprimidos (pessoas que têm alteração da imunidade), são também fatores de risco importante para meningite.
Sinais de alerta
É fundamental saber reconhecer os principais sintomas para agir depressa. Fique atento a:
• Febre súbita e elevada;
• Rigidez da nuca (dificuldade em encostar o queixo ao peito);
• Alteração do estado de consciência (confusão mental ou sonolência extrema);
• Outros sinais como dores de cabeça intensas, vómitos, sensibilidade à luz e manchas na pele.
A gravidade e a importância da urgência
A meningite bacteriana é uma emergência médica que, se não for tratada de imediato, pode ser fatal. Mesmo com o tratamento adequado, cerca de 10% a 20% das pessoas que sobrevivem podem desenvolver sequelas permanentes. Para além da surdez (sequela mais frequente), a doença pode provocar défices neurológicos, dificuldades de aprendizagem e de cognição, epilepsia e, nos casos associados à infeção grave, até mesmo levar à amputação de membros.
Por outro lado, a meningite vírica é frequentemente autolimitada e o tratamento é apenas sintomático.
Como não é possível distinguir se a causa é um vírus ou uma bactéria apenas pelos sintomas, a regra de ouro é: perante a suspeita, deve procurar avaliação médica imediatamente. O exame que permite distinguir estes dois tipos de meningite é a punção lombar: consiste em retirar um pouco do líquido que envolve o sistema nervoso central, entre as meninges. É a análise laboratorial deste líquido (chamado líquido cefalorraquidiano) que permite distinguir os diferentes tipos de meningite.
GeorgiNutsov
Prevenção: o nosso melhor escudo
A vacinação é o nosso melhor escudo protetor.
Em Portugal, o Programa Nacional de Vacinação (PNV) inclui gratuitamente as vacinas contra as principais bactérias causadoras da doença (como Neisseria meningitidis B e C, o Streptococcus pneumoniae e o Haemophilus influenzae tipo b). Graças à forte adesão a este plano de vacinação, os números caíram drasticamente nas últimas décadas – atualmente, a incidência é estimada em cerca de 0,9 casos por 100.000 habitantes.
Artigo da autoria de André Silva Pinto, especialista em doenças infeciosas e medicina intensiva, membro da direção do colégio de doenças infeciosas da Ordem dos Médicos
