Sobreviventes do incêndio regressam pela primeira vez aos apartamentos destruídos em Hong Kong, acompanhados pelas autoridades. As vistorias das habitações destruídas em novembro decorrem até 4 de maio. Muitos recorrem a exoesqueletos para aceder aos andares mais altos sem elevador e tentar recuperar bens pessoais.
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As vítimas do incêndio que atingiu o Complexo Wang Fuk Court, em Hong Kong, começaram a regressar às habitações pela primeira vez desde a tragédia. As visitas decorrem com acompanhamento das autoridades e com equipamento de proteção, para avaliar os estragos e tentar recuperar alguns objetos que resistiram ao fogo.
O incêndio provocou 168 mortos, afetou a maioria dos edifícios do complexo e obrigou milhares de pessoas a abandonar as suas casas. As autoridades estimam avaliar cerca de 1.700 apartamentos, num processo que se prolonga até maio.
Sem elevadores operacionais, muitos moradores, sobretudo idosos, enfrentam grandes dificuldades para chegar aos apartamentos. Para ultrapassar esse obstáculo, alguns recorrem a exoesqueletos robóticos, que ajudam a reduzir o esforço físico e facilitam a deslocação dentro dos edifícios.
“Vivo no 13.º andar e é muito difícil. Nunca tive de subir até ao 13.º andar antes, porque tínhamos elevador. Agora não há elevador, por isso é realmente horrível e muito frustrante”, disse Fanny Mok ex-residente do Wang Fuk Court, citado na Reuters.
Os equipamentos dão apoio adicional às pernas e permitem subir e descer com maior estabilidade, embora exijam treino prévio. Num complexo com torres de 31 andares e uma elevada percentagem de residentes idosos, esta ajuda tornou-se essencial para muitos dos antigos moradores.
A visita aos apartamentos acontece num tempo limitado, o que aumenta a dificuldade de recuperar décadas de vida acumulada.
“Como é que se pode levar tudo com que se viveu durante décadas em apenas três horas? É praticamente impossível. Desapegar-se das coisas é muito difícil”, disse Betty Ho ex-residente do Wang Fuk Court, citado na Reuters.
Cerca de seis mil residentes podem entrar nas habitações por períodos de até três horas. Muitos procuram recuperar bens essenciais e objetos com valor emocional, como fotografias de família.
Alguns apartamentos apresentam danos estruturais graves, com tetos destruídos e detritos espalhados, o que levanta preocupações de segurança. O Governo de Hong Kong considera inviável reconstruir o complexo no mesmo local e propôs a recompra das propriedades, decisão contestada por alguns moradores.
“Sabemos que há questões suspeitas por detrás disto. Espero que possamos realmente encontrar a verdade”, disse Cyrus Ng à AP.
