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Refinarias “teapot” ajudam Irão a contornar sanções e reforçam segurança energética da China


Ataques Irão

Reportagem Sky News

Numa região discreta e outrora rural da China, existe uma indústria com um papel desproporcionado e marcada por negócios secretos.

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No norte da província de Shandong, multiplicam-se as chamadas refinarias “teapot”.

São dezenas de unidades independentes e de pequena dimensão, assim designadas pela sua antiga forma compacta. Estas refinarias compram petróleo a baixo custo a diferentes fornecedores e vendem-no localmente, num sistema que permite contornar sanções internacionais e manter aliados da China economicamente sustentados, nomeadamente o Irão.

Mais de 80% do petróleo iraniano, um produto sancionado que poucos países aceitam, é adquirido por estas refinarias. Trata-se de uma fonte essencial de financiamento para o regime iraniano e para o esforço de guerra.

Trabalhadores locais, como Gao Ri, podem não saber ao certo a origem do petróleo, mas reconhecem que continua a chegar à China, ao contrário do que acontece em grande parte do mundo.

“Há países sob pressão, mas não há forma de pressionar a China. Temos mais do que suficiente”, afirmou o trabalhador, sublinhando a confiança na capacidade do país.

Apesar do impacto da guerra, o trabalhador considera que a situação não representa uma ameaça direta.

“Não deve ser um problema. A China é número um”, garantiu.

A guerra tem provocado escassez de petróleo e aumento de preços em várias partes da Ásia, mas o Irão continua a garantir o abastecimento à China, reforçando a sua segurança energética.

Fora das grandes refinarias, a região mantém um aspeto modesto e até algo degradado, o que contrasta com a sua importância estratégica. Este território é crucial tanto para a sobrevivência económica do Irão como para a segurança energética chinesa.

Ainda assim, há riscos. Estas refinarias operam com margens muito reduzidas e qualquer interrupção no fornecimento pode ter consequências graves. Mesmo lá, os preços já estão a subir.

Num pequeno negócio de peças para camiões à beira da estrada, um comerciante descreve as dificuldades:

“Há poucos clientes. O negócio está pior do que durante a pandemia.”

“Quando os EUA sancionam a China, as coisas não correm bem. A economia piora”, acrescentou outro.

A China tem, por isso, um interesse direto na estabilidade. Donald Trump afirmou acreditar que foi Pequim a pressionar o Irão a negociar, embora persistam dúvidas sobre até que ponto terá apoiado o aliado.

Questionado sobre o uso destas refinarias para negociar petróleo iraniano sancionado, o Governo chinês rejeita as acusações.

“A causa principal do impacto na economia mundial e na segurança energética é o conflito com o Irão. A China opõe-se firmemente a sanções unilaterais ilegais que não têm base no direito internacional”, afirmou um porta-voz.

Apesar de não o reconhecer oficialmente, este sistema tem sido essencial para a sobrevivência do Irão. Ao mesmo tempo, reforça a posição geopolítica da China, garantindo proteção interna e ampliando a sua influência externa.



SIC Noticias

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