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Ataques israelitas no Líbano causaram esta sexta-feira seis mortos, indicou o ministério libanês da Saúde, apesar do cessar-fogo na guerra entre Israel e o Hezbollah pró iraniano.
Adri Salido
“Os ataques aéreos do inimigo israelita no sul do Líbano hoje, 24 de abril, resultaram no martírio de seis cidadãos e deixaram dois outros feridos”, indicou o ministério em comunicado.
O Ministério precisou, na nota difundida pela agência de notícias estatal NNA, que as localidades de Tulin e Al Huyair, ambas no distrito de Marjayún, registaram duas vítimas mortais, cada uma.
Além destas quatro pessoas, uma morreu no município de Sarifa, no distrito de Tiro, e outra foi morta no de Yater, em Bint Jbeil, onde os ataques de Israel deixaram também pelo menos um ferido.
O Exército israelita também realizou vários bombardeamentos contra “estruturas militares” do partido e milícia xiita Hezbollah na referida localidade, assim como em Jirbet Salem, ferindo uma pessoa, e alegou que estas eram utilizadas pelo grupo xiita “para promover planos terroristas contra as forças israelitas e o Estado de Israel”.
O grupo xiita rejeitou esta sexta-feira o cessar-fogo “perante a continuação dos atos hostis de assassínio, bombardeamento e disparos por parte de Israel”.
“Cada ataque israelita contra qualquer alvo libanês, independentemente da natureza, confere à resistência o direito de responder proporcionalmente, de acordo com o contexto no terreno”, advertiu o deputado do Hezbollah Ali Fayyad.
Israel exige ao Governo do Líbano o desarmamento do Hezbollah, entre outras condições para cessar as hostilidades.
Na sequência do conflito, um militar indonésio da FINUL ferido em março morreu esta sexta-feira, anunciou a missão da ONU, avisando também que ataques a trabalhadores humanitários podem ser considerados crimes de guerra.
A força de manutenção exigiu ainda aos intervenientes do conflito, nomeadamente Israel e o Hezbollah, que “cumpram as suas obrigações perante o direito internacional” e garantam a segurança do pessoal e dos bens da ONU.
Na conferência de imprensa desta sexta-feira, o porta-voz de Guterres lamentou a morte de mais um “capacete azul” (como são conhecidos os operacionais das missões de paz da ONU) e indicou que são já seis os membros da FINUL mortos e vários outros que ficaram gravemente feridos no meio das recentes hostilidades entre o Hezbollah e Israel.
“Estes incidentes são inaceitáveis e devem parar. Solicitámos que as partes relevantes garantam que estes casos sejam investigados e, quando apropriado, processados pelas autoridades nacionais, a fim de levar os perpetradores à justiça e garantir a responsabilização”, disse Guterres, através do seu porta-voz.
“Os ataques contra os soldados da paz da ONU podem constituir crimes de guerra ao abrigo do direito internacional”, insistiu.
A ofensiva de Israel no Líbano contra o grupo xiita pró-iraniano Hezbollah já causou mais de 2.400 mortos e um milhão de deslocados desde 02 de março, segundo as autoridades de Beirute.
O Hezbollah arrastou o Líbano para a guerra no Médio Oriente ao atacar Israel em retaliação pela morte do líder supremo do Irão, Ali Khamenei, em 28 de fevereiro, no início da ofensiva israelita e americana contra Teerão.
